A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmaram que a Europa deixou para trás o período em que delegava grande parte de sua defesa aos Estados Unidos. Em artigo publicado neste domingo (5) na revista The Economist, os dois defenderam o fortalecimento das capacidades militares europeias diante do atual cenário de segurança.
Segundo Von der Leyen e Rutte, "a época em que a Europa delegava grande parte de sua defesa chegou ao fim". Eles afirmaram que, durante décadas, os países europeus transferiram aos Estados Unidos, por meio da OTAN, uma parcela significativa da responsabilidade pela segurança do continente.
"A dura realidade e os perigos do mundo atual colocaram fim a essa forma de pensar", escreveram.
De acordo com os líderes, os membros europeus da aliança ampliam os investimentos em defesa, aumentam a produção militar e expandem fábricas para atender à nova demanda.
Eles destacaram que equipamentos como drones, veículos terrestres não tripulados e sistemas de guerra eletrônica passaram a ser considerados essenciais.
Também afirmaram que fabricantes de automóveis civis adaptam suas instalações para produzir componentes destinados ao setor de defesa, incluindo sistemas de defesa aérea e drones de longo alcance.
Ampliação da capacidade militar
No artigo, Von der Leyen e Rutte afirmaram que os países da União Europeia e os aliados da OTAN precisam ampliar suas frotas de caças, aeronaves de reabastecimento, navios, submarinos, sistemas de defesa aérea e antimísseis, além de drones e equipamentos antidrones.
Segundo eles, a escassez de interceptadores e sistemas de defesa contra drones foi agravada pelo envio de armamentos à Ucrânia e aos países envolvidos no conflito no Oriente Médio contra o Irã.
"Nossa capacidade de produção atual não consegue atender à demanda", concluíram.
Dependência dos EUA
Segundo um relatório do Instituto de Kiel, da Alemanha, os países europeus continuam "estrategicamente dependentes dos EUA em toda a cadeia de operações militares".
O estudo afirma que o continente ainda depende da infraestrutura do Pentágono, incluindo inteligência, satélites de vigilância e sistemas de defesa antiaérea.
Ainda de acordo com o artigo, os planos atuais de Washington seguem uma estratégia chamada "OTAN 3.0", que prevê maior responsabilidade dos países europeus por sua própria defesa em conflitos convencionais, enquanto os Estados Unidos manteriam principalmente a dissuasão nuclear.
Pressão de Trump
Anteriormente, presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender o aumento dos gastos militares dos integrantes da OTAN.
Segundo ele, Washington investe "milhares e milhares de milhões de dólares a mais" do que os aliados europeus e, por isso, cobra que todos os membros elevem seus investimentos em defesa para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2035.
Na quinta-feira (2), Trump também criticou os níveis de investimento militar da Alemanha, do Reino Unido, da França e da Itália.
"É ridículo para os EUA continuar por esse caminho unilateral quando a relação não é recíproca! Eles não estiveram lá por nós!", declarou.
- Moscou tem insistido repetidamente que o envio de armas ocidentais para a Ucrânia não alterará o equilíbrio estratégico no campo de batalha. Além disso, a Rússia tem sido clara em seus alertas: qualquer armamento de origem ocidental fornecido ao regime de Kiev será considerado um alvo legítimo por suas Forças Armadas.
- O Kremlin também denuncia reiteradamente que muitas das armas enviadas pelo Ocidente à Ucrânia acabam chegando a grupos criminosos no exterior.