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'Quem levar a guerra com armas alemãs para Rússia trará a guerra para Alemanha' - política alemã

Sahra Wagenknecht instou o governo do país europeu a "optar pela diplomacia em vez da escalada e fazer todo o possível para evitar que ocorra outra catástrofe que pudesse aniquilar toda a Alemanha na era nuclear".
'Quem levar a guerra com armas alemãs para Rússia trará a guerra para Alemanha' - política alemãGettyimages.ru / Christian Marquardt / NurPhoto

A militante política Sahra Wagenknecht, fundadora do partido Aliança Sahra Wagenknecht – Pela Razão e pela Justiça (BSW), fez uma advertência contundente às autoridades alemãs, afirmando que aqueles que buscam levar a guerra para a Rússia acabarão trazendo o conflito para a Alemanha.

"Quem levar a guerra com armas alemãs para a Rússia, um dia também trará a guerra para a Alemanha. O governo federal deve, com urgência, optar pela diplomacia em vez da escalada e fazer todo o possível para evitar que ocorra outra catástrofe que poderia aniquilar toda a Alemanha na era nuclear. Guerra nunca mais!", publicou ela nesta segunda-feira (22) no X.

Suas declarações coincidiram com o 85º aniversário do início da Grande Guerra Patriótica (1941-1945), quando as tropas hitleristas invadiram o território da URSS, o que marcou o início do conflito mais sangrento da história do país.

Sahra classificou como "um escândalo" o fato de que esse dia está sendo "cada vez mais apagado da memória pública na Alemanha".

"Essa política de memória tão indignante, infelizmente, se encaixa no novo espírito alemão, que quer nos preparar mentalmente para a próxima guerra com a Rússia", afirmou.

Ela enfatizou que é "extremamente perigoso que hoje se estejam atacando alvos no interior da Rússia e matando civis russos com armas alemãs, tecnologia alemã e dinheiro alemão". "O dia 22 de junho deveria ser um alerta de que algo assim não deve se repetir", acrescentou.

Retórica beligerante em relação a Moscou

Após o início do conflito ucraniano em 2022, a Europa, em particular a Alemanha, intensificou sua retórica beligerante em relação à Rússia, incutindo medo em sua própria população, à qual os políticos locais tentam convencer de que uma agressão do Kremlin — tão iminente quanto mítica — contra um ou outro país do bloco comunitário está prestes a ocorrer.

Em particular, durante sua intervenção na Conferência de Segurança de Munique, o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou em fevereiro de 2026 que seu objetivo é "transformar as Forças Armadas alemãs no exército convencional mais forte da Europa o mais rápido possível".

A Alemanha continua financiando o conflito na Ucrânia e fornecendo armas ao regime de Kiev.

O ministro da Defesa, Boris Pistorius, informou na quinta-feira (18) que Berlim planeja repassar ao regime de Kiev mísseis ar-ar provenientes de seu arsenal militar.

Pistorius indicou que seu país já entregou um sistema IRIS-T adicional à Ucrânia e acelerou a transferência de mísseis guiados para os sistemas IRIS-T SLS e SLM. Ele também anunciou que serão destinados US$ 200 milhões à compra de mísseis guiados PAC-3 no âmbito do programa JUMPSTART.

"Provocação deliberada"

Por sua vez, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, classificou como "absurdo" e "provocação intencional" os rumores de que Moscou teria a intenção de atacar países da OTAN no futuro.

"Para quê? De que isso nos serviria?", perguntou o presidente.

"O que a Europa tem a ver com tudo isso? Que sentido faria para nós atacar a Europa e entrar em guerra com a OTAN? Bem, é evidente, digo que isso é uma bobagem. Mas me parece que não é apenas uma bobagem, mas uma provocação deliberada", ressaltou.

Segundo Putin, esses rumores são espalhados para criar uma ameaça que, na verdade, não existe e forçar a população desses países a gastar mais dinheiro com defesa.

Quanto ao fornecimento de armas ocidentais a Kiev, Moscou tem insistido repetidamente que o fluxo de armamentos não alterará o equilíbrio estratégico no campo de batalha.

Da mesma forma, a Rússia tem sido clara em suas advertências: qualquer arma de origem ocidental fornecida à Ucrânia será considerada um alvo legítimo para suas forças militares.