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Exército 'mais forte' da Europa? Crise e escassez travam plano de Merz

Empresa logística da Bundeswehr acende alerta sobre falta de componentes essenciais para manter a capacidade operacional militar.
Exército 'mais forte' da Europa? Crise e escassez travam plano de MerzGettyimages.ru / Thomas Niedermueller / Stringer

A Alemanha não tem recursos suficientes para manter e reparar regularmente seu equipamento militar, segundo um relatório interno da empresa responsável pela manutenção, a Heeresinstandsetzungslogistik GmbH (HIL), citado pelo jornal Süddeutsche Zeitung.

Em especial, Berlim enfrenta escassez de peças de reposição para sistemas terrestres pesados. Em maio, menos da metade do inventário total do obus autopropulsado Panzerhaubitze 2000 estaria operacional. Além disso, quase metade dos veículos de combate de infantaria Marder e dos blindados Boxer teriam ficado presos em ciclos de reparo no mesmo período.

No país, também há falta de planejamento para modernização de infraestrutura, ferramentas e sistemas de informática, além de dificuldades no recrutamento e retenção de pessoal qualificado e de fragilidades nas cadeias de suprimento e nos contratos de longo prazo com a indústria, segundo o relatório.

Como consequência, as Forças Armadas não conseguem manter seus principais sistemas de armamento em estado de plena prontidão para combate. Após exercícios intensivos, a disponibilidade de alguns tipos de veículos chega a cair cerca de 30%, enquanto a própria empresa afirma que o mínimo necessário seria de 70% de disponibilidade operacional.

Além disso, muitas vezes é difícil encontrar no mercado peças essenciais em quantidade suficiente, como polias especiais, unidades de controle ou geradores para veículos blindados — especialmente em prazos curtos.

Mais equipamentos militares, mas sem suporte suficiente

O órgão responsável pela cadeia de suprimentos é o Escritório Federal de Equipamentos, Tecnologia da Informação e Suporte em Serviço da Bundeswehr, subordinado ao Ministério Federal da Defesa. Apesar de ter adquirido grandes volumes de novos sistemas, não foram adotadas medidas suficientes para garantir cadeias de fornecimento estáveis de peças de reposição, segundo responsáveis da HIL.

Além disso, o governo alemão estaria pressionando por compras em massa de novos sistemas de armas, segundo fontes internas da Bundeswehr citadas pela imprensa. Ao mesmo tempo, a infraestrutura logística atual não estaria preparada para lidar com esse aumento de equipamentos. Em alguns casos, veículos ficam estacionados ao ar livre, expostos às condições climáticas, o que acelera o desgaste.