Notícias

Merz defende reforço militar europeu após distanciamento dos EUA

Chanceler alemão afirmou que a Europa precisa ampliar sua capacidade de defesa diante da redução da dependência dos Estados Unidos.
Merz defende reforço militar europeu após distanciamento dos EUAGettyimages.ru / Kay Nietfeld

O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que "as relações transatlânticas já não são como antes", em entrevista concedida ao jornal espanhol ABC e publicada neste sábado (17). Segundo ele, há atualmente "um distanciamento mútuo" entre Alemanha e Estados Unidos.

De acordo com Merz, o esfriamento das relações ocorre porque Washington não deseja ajudar a preservar a segurança europeia, enquanto a União Europeia busca reduzir sua dependência dos EUA.

Defesa europeia

Ao mesmo tempo, o chanceler destacou a necessidade de reforçar o potencial militar alemão. "Devemos ser capazes de nos defender […] A força diplomática da Europa só será eficaz se estiver apoiada em capacidades militares", declarou.

Merz observou ainda que a indústria militar da Alemanha está atrás do nível de produção bélica de países como os Estados Unidos. Além disso, Berlim não possui armas nucleares próprias.

Segundo ele, por esse motivo é necessário chegar a um acordo com a França "sobre como proteger a Europa". O chanceler também classificou o fortalecimento da "coesão europeia" como sua "principal contribuição".

Retirada de tropas

Em 1º de maio, o Pentágono confirmou planos para a retirada parcial de tropas norte-americanas da Alemanha. A medida havia sido anunciada anteriormente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após um confronto verbal com Merz sobre a condução norte-americana do conflito iraniano.

Posteriormente, Trump declarou que o plano de retirar 5 mil militares da Alemanha nos próximos seis a doze meses seria apenas o início. "Vamos reduzir muito, e a redução será muito maior do que 5 mil", afirmou.

Relações com Trump

Além das dificuldades nas relações entre Berlim e Washington, a Alemanha também enfrenta consequências das decisões de Trump. Entre elas está o fechamento do estreito de Ormuz devido à agressão dos EUA e de Israel, fator que afeta a economia da União Europeia.

As relações pessoais entre os dois líderes também permanecem tensas. Apesar de Merz defender a necessidade de "manter a calma com Trump" e afirmar ser capaz de "adaptar-se" aos seus interlocutores políticos, respondeu "Pode-se dizer que sim" ao ser questionado se é difícil ser chanceler durante o segundo mandato de Trump.

Troca de críticas

As declarações do chanceler ocorrem após um confronto recente entre os dois líderes. No fim de abril, Merz criticou a guerra dos EUA contra o Irã e afirmou que o país estava sendo "humilhado" por Teerã.

Em resposta, Trump recomendou ao chefe do governo alemão "dedicar mais tempo a consertar seu país destruído, especialmente no que se refere à imigração e à energia, e menos tempo a interferir com aqueles que estão eliminando a ameaça nuclear iraniana".