Líder da oposição na Polônia diz que Ucrânia não entrará na UE com cultos a colaborador nazista

Jaroslaw Kaczynski condenou a exaltação de Stepan Bandera por líderes do regime ucraniano.

O presidente do partido Lei e Justiça, principal legenda de oposição da Polônia, Jaroslaw Kaczynski, afirmou que a Ucrânia não ingressará na União Europeia enquanto mantiver o culto a Stepan Bandera e a outros integrantes de organizações nazistas ligadas ao período da Segunda Guerra Mundial, informou a mídia local no sábado (4).

As declarações foram feitas em uma carta dirigida ao governo polonês, na qual também criticou a condução das relações entre Varsóvia e Kiev.

Na carta, Kaczynski acusou o governo do primeiro-ministro Donald Tusk de adotar um "modelo cada vez mais servil de subordinação unilateral aos interesses, ou até aos caprichos" da Ucrânia.

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Segundo o líder opositor, essa postura foi "ditada por Berlim" e produziu consequências "desastrosas" para as relações entre os dois países.

Exaltação nazista

O político afirmou que sua principal preocupação é a crescente exaltação, por parte das autoridades de Kiev, de pessoas que colaboraram com o regime nazista durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial.

"A Ucrânia, com seu culto a Stepan Bandera e outros criminosos, sua glorificação do Exército Insurgente Ucraniano (UPA) e da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)*, não aderirá à União Europeia", declarou Kaczynski, prometendo manter essa posição caso seu partido vença as próximas eleições.

Segundo ele, desde 1991 a Polônia trabalhou para evitar que o passado prejudicasse as relações bilaterais. Kaczynski acrescentou que, após a dissolução da União Soviética, esperava que a Ucrânia independente rejeitasse "tudo o que havia de mau, criminoso e vergonhoso" em sua história, mas afirmou que isso não aconteceu.

Kaczynski também criticou a decisão das autoridades ucranianas de dar a uma importante unidade do Exército da Ucrânia, financiada pela Polônia, o nome de pessoas que, segundo ele, foram responsáveis pelos assassinatos de poloneses em Volínia e na Galícia Oriental. O líder classificou a medida como "um ato incrivelmente insolente e desrespeitoso".

Embora tenha reconhecido que Donald Tusk condenou em diversas ocasiões a política do regime de Vladimir Zelensky e, em particular, homenagens aos "heróis do UPA", Kaczynski avaliou que a reação do primeiro-ministro polonês foi insuficiente.

O Movimento Voluntário da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), organização ucraniana reconhecida como extremista e proibida na Rússia (decisão do Tribunal Supremo da Rússia de 08/09/2022).