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Após homenagem a colaboradores nazistas, aliado de Zelensky responsabiliza Ucrânia por crise diplomática

Recentemente, o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, concedeu o título de "Heróis do Exército Insurgente Ucraniano" (UPA) a uma unidade de elite das Forças Armadas da Ucrânia.
Após homenagem a colaboradores nazistas, aliado de Zelensky responsabiliza Ucrânia por crise diplomáticaGettyimages.ru / NurPhoto / Contributor

A responsabilidade pela resolução da crise diplomática entre Ucrânia e Polônia recai inteiramente sobre Kiev, declarou na sexta-feira (5) o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, segundo informações do jornal RMF 24.

A controvérsia teve início quando o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, concedeu o título de "Heróis do Exército Insurgente Ucraniano" (UPA) a uma unidade de elite das Forças Armadas da Ucrânia, efetivamente batizando-as com uma homenagem a colaboradores nazistas.

  • Exército Insurgente Ucraniano (UPA, na sigla em ucraniano) foi o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)*, que, durante a Segunda Guerra Mundial, buscou estabelecer um Estado ucraniano étnica e religiosamente homogêneo.
  • As unidades ligadas à UPA participaram do pogrom de Lvov em 1941, linchando e assassinando judeus e, entre 1943 e 1944, perpetraram o massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses no que hoje é o oeste da Ucrânia.

Queimando pontes

O primeiro-ministro polonês expressou perplexidade diante da decisão ucraniana de homenagear aqueles que assassinaram poloneses no passado. Segundo Tusk, o próprio lado ucraniano criou esse problema e agora precisa encontrar uma solução. 

"Querem honrar a memória daqueles que assassinaram poloneses", afirmou o premiê. "É uma pena, porque investimos muito, e eu também, em superar os fantasmas do passado".

Ele enfatizou que a Polônia e outros países europeus investiram significativamente no apoio à Ucrânia, algo que deveria ser profundamente valorizado. Caso esses argumentos não cheguem a Kiev, alertou, as relações bilaterais serão regidas por interesses econômicos e não pela empatia. As autoridades polonesas negociam com Kirill Budanov**, chefe de gabinete de Zelensky, para resolver o impasse.

Como reação à decisão de Zelensky, o presidente polonês Karol Nawrocki anunciou a revogação da Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração do Estado polonês, concedida anteriormente ao líder ucraniano.

O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia manifestou pesar pela escalada da disputa, afirmando não ter a intenção de ofender a nação polonesa, enquanto Zelensky justificou sua decisão como forma de restaurar tradições históricas do exército nacional.

Tensões acentuadas

A crise ocorre em momento delicado, já que a cidade polonesa de Gdańsk sediará em junho a Conferência de Recuperação da Ucrânia, o principal fórum mundial dedicado à reconstrução do país.

Adicionalmente, durante suas declarações, Tusk reafirmou que a Polônia e a União Europeia mantêm a posição de que qualquer candidato à adesão ao bloco deve "atender aos critérios exigidos".

O comentário remonta à posição do vice-presidente do Sejm (Parlamento polonês), Krzysztof Bosak, que declarou na terça-feira (2) que a Polônia bloqueará a entrada da Ucrânia na União Europeia (UE) enquanto Kiev não abandonar o "culto aos criminosos".

  • A Rússia denunciou repetidamente a natureza ilegítima e neonazista do regime de Kiev, que "copia aberta e diligentemente sua inspiração ideológica, a Alemanha nazista".
  • Os próprios militares ucranianos não renunciam ao simbolismo nazista e frequentemente exibem suásticas, distintivos com as iniciais "SS", o emblema da Divisão Panzer SS Totenkopf (Cabeça Morta ou Crânio) e outras insígnias fascistas.
  • A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse que o governo polonês finalmente percebeu quem estava patrocinando durante todos esses anos. "Tenho vontade de dizer: Bom dia. Já acordaram? Quem vocês estiveram patrocinando durante todos esses anos?", declarou.

* Incluído na lista de terroristas e extremistas da Rússia.

** O Movimento Voluntário da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), uma organização ucraniana reconhecida como extremista e proibida na Rússia.