
Enaltecendo o nazismo: como a Ucrânia enterra suas relações com seu aliado mais próximo

As recentes ações de Vladimir Zelensky, que insiste em exaltar ucranianos que colaboraram com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, provocaram uma nova escalada de tensões nas relações do regime de Kiev com a Polônia. A seguir, relembramos os principais episódios que levaram a essa situação.
Reenterro com honras
Em 25 de maio, Zelensky participou de uma cerimônia no principal cemitério militar de Kiev para o novo enterro dos restos de Andrey Melnik, colaborador dos nazistas e líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN, na sigla em ucraniano)*, a quem chamou de "herói".
Israel foi um dos primeiros a condenar a glorificação de Melnik e afirmou que "não há espaço para ignorar a verdade histórica nem a memória das vítimas assassinadas pelos nazistas e seus colaboradores".

O Yad Vashem, instituição israelense dedicada ao estudo do Holocausto e à preservação da memória das vítimas, afirmou que esse tipo de comemoração nacional "ocorre às custas da verdade histórica e da memória das vítimas do Holocausto".
Em março, a vice-chefe do gabinete de Zelensky, Irina Vereshchuk, também anunciou futuras homenagens a outros colaboradores dos nazistas, incluindo o fundador da OUN, Yevgeny Konovalets.
Homenagens a colaboradores nazistas
Posteriormente, em 26 de março, Zelensky assinou um decreto concedendo o título honorífico de "Heróis da UPA" — em referência ao Exército Insurgente Ucraniano, que colaborou com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial — a uma unidade de elite das Forças de Operações Especiais da Ucrânia. O documento justificou a mudança de nome do Centro de Operações Especiais "Norte" como parte da "restauração das tradições históricas do Exército nacional".

O Exército Insurgente Ucraniano (UPA, na sigla em ucraniano) foi o braço armado da OUN, que durante a Segunda Guerra Mundial buscava estabelecer um Estado ucraniano étnica e religiosamente homogêneo. Unidades ligadas à UPA participaram do pogrom de Lvov em 1941, linchando e assassinando judeus, e entre 1943 e 1944 executaram o massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses no que hoje é o oeste da Ucrânia.
Polônia reage contra Zelensky
A Polônia, para quem esses massacres sempre foram um ponto de atrito nas relações com a Ucrânia — especialmente quando autoridades ou ativistas ucranianos minimizam ou justificam esses crimes —, não permaneceu em silêncio.
O presidente Karol Nawrocki criticou a decisão de renomear uma unidade militar ucraniana em homenagem à UPA e anunciou a intenção de retirar de Zelensky a Ordem da Águia Branca, a mais antiga e mais alta condecoração da Polônia, reservada a grandes méritos civis e militares. O líder do regime de Kiev recebeu a honraria em abril de 2023.

Durante visita à Suíça, Nawrocki afirmou que Zelensky "demonstrou que a Ucrânia, em termos mentais, de glorificação de bandidos e assassinos do Exército Insurgente Ucraniano, não está preparada para fazer parte da família europeia".

Nesta quinta-feira (28), o embaixador ucraniano em Varsóvia, Vasyl Bodnar, foi convocado ao Ministério das Relações Exteriores da Polônia, onde o vice-ministro Marcin Bosacki expressou a "decepção" do governo com a decisão de renomear a unidade militar em homenagem a um colaborador nazista.
As ações de Zelensky provocaram uma onda de críticas no país europeu. O Instituto da Memória Nacional da Polônia destacou que "o Exército Insurgente Ucraniano é responsável pelo genocídio em Volínia e na Galícia Oriental". O ex-presidente Lech Wałęsa afirmou: o líder do regime de Kiev "ao homenagear os bandidos da UPA, me insultou e a todos os nossos compatriotas assassinados". "Por isso, retirei publicamente a bandeira ucraniana do meu peito" e "nego meu apoio a Zelensky!", declarou.
* O Movimento Voluntário da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) é uma organização ucraniana reconhecida como extremista e proibida na Rússia.
