
'Vai terminar mal': Crise escala e Zelensky ameaça presidente da Polônia após perder condecoração

O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou neste domingo (21) que o conflito entre autoridades polonesas e ucranianas representa um "erro estratégico" com consequências negativas para os dois países. Segundo ele, as tensões podem causar prejuízos nos campos empresarial, geopolítico e de reputação.
Em publicação na rede X, Tusk declarou que "o conflito entre os políticos da Polônia e da Ucrânia é um erro estratégico que prejudicará ambas as partes: do ponto de vista empresarial, geopolítico e de reputação". O premiê acrescentou que, na política, "um erro é pior que um crime".
Tusk afirmou que, em conversas com parceiros europeus, busca "minimizar as perdas e reduzir a tensão". No entanto, reconheceu que "não é uma tarefa fácil".

Zelensky ameaça presidente polonês
O líder do regime de Kiev criticou o presidente da Polônia em meio ao agravamento das tensões entre os dois países. Em conversa com a imprensa, Zelensky acusou Naawrocki de estimular sentimentos hostis contra os ucranianos.
"[Karol Nawrocki] continua a luta política, em princípio, dentro do seu próprio Estado, às custas de elevar o sentimento de ódio contra os ucranianos. O mesmo fez [o ex-primeiro-ministro da Hungria, Viktor] Orbán, e é uma história ruim. Considero que isso acabará mal", afirmou Zelensky.
Revogação de condecoração
Na sexta-feira (19), o presidente da Polônia, Karol Nawrocki, retirou a Ordem da Águia Branca do líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky. A decisão ocorreu após a Ucrânia batizar uma unidade de forças especiais em homenagem a colaboradores nazistas no fim de maio.
Em resposta, os ex-presidentes ucranianos Piotr Poroshenko, Leonid Kuchma e Viktor Yushchenko renunciaram às condecorações recebidas da Polônia. Também devolveram ou rejeitaram a honraria o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrey Sibiga, o chefe do gabinete presidencial, Kiril Budanov, o vice-chefe do gabinete de Zelensky, Igor Zhovkva, e o embaixador ucraniano em Varsóvia, Vasilly Bodnar.
Segundo a Polsat News, o ex-primeiro-ministro polonês Leszek Miller comentou no sábado (20): "Já que todos estão se lançando a devolver o que receberam, que devolvam os MiG que lhes deram, os tanques e as armas. Seria um gesto, não?".
Divergências sobre memória histórica
Karol Nawrocki classificou como "indignante", "incompreensível e profundamente decepcionante" a decisão de conceder a uma unidade do Exército ucraniano o título de Heróis do Exército Insurgente Ucraniano (UPA).
De acordo com o presidente polonês, a medida atinge "não apenas a memória histórica", mas também a "confiança construída durante anos e nos últimos meses", além do "fundamento da reconciliação" entre os dois países.
Neonazismo na Ucrânia
O UPA atuou como o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)*, grupo que buscou estabelecer um Estado ucraniano étnica e religiosamente homogêneo durante a Segunda Guerra Mundial.
Unidades associadas ao UPA participaram do pogrom de Lvov em 1941, que resultou no linchamento e assassinato de judeus. Entre 1943 e 1944, o grupo também perpetrou o massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses no território que hoje corresponde ao oeste da Ucrânia.
A Rússia reitera denúncias sobre o que classifica como a natureza ilegítima e neonazista do regime ucraniano, afirmando que a gestão de Zelensky copia "aberta e diligentemente" a Alemanha nazista, apontada como sua "inspiração ideológica".
- A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse que o governo polonês finalmente percebeu quem estava patrocinando durante todos esses anos. "Tenho vontade de dizer: Bom dia. Já acordaram? Quem vocês estiveram patrocinando durante todos esses anos?", declarou.
*O Movimento Voluntário da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) é uma organização ucraniana reconhecida como extremista na Rússia e é proibida no país (decisão do Supremo Tribunal da Rússia de 8 de setembro de 2022).


