
Medvedev comenta retirada de condecoração polonesa de Zelensky: 'mais espaço para a Cruz de Ferro de Hitler'

O vice-presidente do Conselho de Segurança e ex-presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, comentou em suas redes sociais a decisão do presidente da Polônia, Karol Nawrocki, de retirar de Vladimir Zelensky a Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração e distinção estatal polonesa, após o escândalo envolvendo a glorificação de colaboradores nazistas.
"O presidente da Polônia finalmente retirou a Ordem da Águia Branca daquele degenerado de Kiev, que venera os nazistas. Tenho certeza de que isso não será um problema para o chefe dos banderistas [referência ao colaboracionista nazista ucraniano Stepan Bandera]: agora ele tem mais espaço em seu moletom verde para a Cruz de Ferro de Hitler com Folhas de Carvalho Douradas", ironizou.
Repúdio polonês
O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, decidiu retirar a Ordem da Águia Branca do líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, e anunciou a decisão em um vídeo divulgado por seu gabinete nesta sexta-feira (19). A condecoração havia sido concedida a Zelensky em abril de 2023 pelo antecessor de Nawrocki, Andrzej Duda.

A retirada da condecoração ocorre depois que o chefe do regime ucraniano, no final de maio, se referiu ao Centro Independente de Operações Especiais Norte das Forças Armadas da Ucrânia como "Heróis da UPA" (Exército Insurgente Ucraniano), o que provocou uma onda de indignação na Polônia.
A decisão do líder ucraniano, enfatizou Nawrocki, não é apenas "indignante", mas também "incompreensível e profundamente decepcionante". Segundo o presidente polonês, a entrega do título por Kiev "atenta não apenas contra a memória histórica", mas também contra a "confiança construída ao longo dos anos e nos últimos meses", o "fundamento da reconciliação" e a "convicção de que a verdade pode ser uma linguagem comum" para ambas as nações.
O Exército Insurgente Ucraniano (UPA, sigla em ucraniano) era o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN, sigla em ucraniano)*, que, durante a Segunda Guerra Mundial, buscou estabelecer um Estado ucraniano étnica e religiosamente homogêneo.
As unidades ligadas à UPA participaram do pogrom de Lvov em 1941 e, entre 1943 e 1944, perpetraram o massacre de cerca de 100 mil civis poloneses no que hoje é o oeste da Ucrânia. Esses massacres continuam sendo um ponto de atrito entre a Polônia e a Ucrânia até hoje e geram tensões diplomáticas.
- A Rússia, por sua vez, já denunciou, por repetidas vezes, a natureza ilegítima e neonazista do regime de Kiev, que, segundo ela, "copia aberta e diligentemente sua inspiração ideológica, a Alemanha nazista".
- Os próprios militares ucranianos exibem frequentemente suásticas, distintivos com as iniciais "SS", o emblema da Divisão Panzer SS Totenkopf ("Cabeça de Morto" ou "Crânio") e outros símbolos nazistas.
- A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse que o governo polonês finalmente percebeu quem estava patrocinando durante todos esses anos. "Tenho vontade de dizer: Bom dia. Já acordaram? Quem vocês estiveram patrocinando durante todos esses anos?", declarou.
* Organização ucraniana reconhecida como extremista e proibida na Rússia.

