
Cuba sobre ameaças dos EUA: 'Não queremos guerra, mas não a tememos'

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reafirmou nesta quinta-feira (2) que, embora seu país não queira entrar em um conflito militar aberto com os EUA, não teme essa possibilidade e, caso seja alvo de uma agressão, responderá em defesa de sua soberania.
"Se houver uma agressão, nosso povo dará uma resposta unida em defesa da soberania. Não queremos uma guerra, mas também não tememos uma agressão. O que fazemos é nos preparar para que não haja surpresa nem derrota", afirmou o presidente, em entrevista à emissora britânica Sky News.

A declaração foi uma resposta a uma pergunta sobre as afirmações feitas na véspera pelo presidente dos EUA, Donald Trump, segundo as quais a ilha estaria "se aproximando" de Washington após "muitas décadas" de tensões.
O mandatário cubano reiterou que, ao contrário do que afirma a Casa Branca, Cuba é "um país pacífico" e não representa "uma ameaça para ninguém". Em vez disso, afirmou, Havana oferece "muita solidariedade ao mundo".
No entanto, ressaltou que isso não significa que o país esteja disposto a abrir mão de sua soberania e independência. "Não somos uma nação em disputa, não somos uma colônia, não vamos entregar nossa soberania ou nossa independência a ninguém", enfatizou.
Ameaças e guerra psicológica
O presidente avaliou que "as ameaças e a retórica constante sobre uma agressão" contra Cuba "por parte do governo dos EUA, assim como as declarações feitas quase diariamente, fazem parte de uma estratégia de intoxicação midiática e de guerra psicológica para intimidar a população e desestabilizar a sociedade cubana".
"São uma afronta e um ultraje à dignidade do nosso povo, são uma ofensa à defesa da soberania" e se baseiam em mentiras e manipulações, afirmou.
Além disso, advertiu que, embora "os atuais representantes do governo dos EUA tenham contado muitas mentiras, caluniado muito e manipulado a opinião pública internacional", Cuba conseguiu mostrar ao mundo os efeitos devastadores da política de cerco adotada pelo governo Trump.
Por fim, ao ser questionado se levava a sério as ameaças de seu homólogo norte-americano de "tomar Cuba", respondeu: "Estamos dispostos a lutar e dar até a última gota do nosso sangue para defender nossos direitos, assim como nossa independência, nossa soberania e nossas conquistas".
Cerco e ameaças de Trump
Washington mantém um bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. Desde que Donald Trump assumiu seu segundo mandato, em janeiro de 2025, os EUA intensificaram sua política de cerco e asfixia total contra a ilha.
Essa política extraterritorial dos EUA tem sido acompanhada de sérias ameaças. O próprio presidente norte-americano afirmou estar disposto a usar a força, se necessário, para derrubar o governo cubano, que, por sua vez, denuncia essas ações como uma tática de "genocídio".
Em consonância com as denúncias das autoridades cubanas, o governo Trump, que mantém um destacamento militar ativo no Caribe com tropas do Comando Sul dos EUA, admitiu em diversas ocasiões que o objetivo de sua política contra Cuba é impedir qualquer tipo de receita econômica para Havana. Entre elas, bloquear o fornecimento de petróleo, essencial para atender às necessidades energéticas da maior ilha das Antilhas.
A situação afeta gravemente a economia cubana, que nos últimos meses sofreu o impacto de um bloqueio multidimensional reforçado por diversas medidas coercitivas da Casa Branca. O cenário coloca em risco serviços essenciais como energia, eletricidade, saúde, educação, transporte, alimentação e turismo, entre outros.


