
Cuba está aberta ao diálogo, mas se prepara para se defender 'com toda a sua força', diz chanceler cubano

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, declarou na terça-feira (30) que seu país está aberto ao diálogo com Washington, mas que, ao mesmo tempo, se prepara para defender sua independência e soberania em caso de agressão.
"Uma agressão militar contra Cuba terá que ser enfrentada com toda a força pelo nosso Estado e nosso povo. Será um banho de sangue: milhares e milhares de cubanos morrerão, e jovens americanos também morrerão, arrastados para uma guerra que não lhes pertence e que não faria sentido", explicou Rodríguez em uma entrevista à CNN.
O chanceler ressaltou a falta de apoio popular nos Estados Unidos para uma possível guerra: "A maioria dos cidadãos americanos, contribuintes, eleitores americanos, e também os cubanos residentes nos Estados Unidos e em todo o mundo se opõem ao endurecimento do embargo de combustível e ao bloqueio, e a uma aventura militar contra Cuba".

Diante disso, Havana permanece aberta ao diálogo. "O governo dos Estados Unidos continua a implementar medidas de bloqueio energético cada vez mais severas e a intensificar o embargo com o propósito deliberado de causar sofrimento e dor insuportáveis ao nosso povo e desestabilizar o país. Apesar disso, continuaremos a cooperar com o governo dos Estados Unidos", afirmou Rodríguez.
O ministro denunciou a política de Washington como "um ato de punição coletiva que constitui um crime contra a humanidade" e declarou que a Cuba sempre agirá apenas em legítima defesa.
Sobre as dificuldades no diálogo com os americanos, Rodriguez notou que "há uma contradição flagrante e notória entre a abordagem respeitosa, em regra, dos homólogos americanos nessas conversas diplomáticas e sua conduta, e a conduta do Secretário de Estado [Marco Rubio] e do governo dos EUA, que foge a esse padrão", afirmou.
Em 7 de julho, a Assembleia Geral da ONU realizará uma sessão para denunciar a escalada da agressão e das ameaças dos EUA.
Contexto atual
O ano de 2026 marca o período mais tenso em muito tempo em relação à pressão dos EUA sobre a ilha. Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva declarando "estado de emergência nacional" em resposta à suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representa para a segurança dos Estados Unidos e da região.
Ele também anunciou a imposição de tarifas sobre os países que vendem petróleo para a nação caribenha, juntamente com ameaças de retaliação contra aqueles que agirem contra a ordem executiva da Casa Branca.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, respondeu que "esta nova medida demonstra a natureza fascista, criminosa e genocida daqueles que sequestraram os interesses do povo americano para ganho puramente pessoal".
Mais cedo, o presidente enviou uma mensagem ao governo dos EUA: "Se vocês realmente querem ajudar o povo cubano, deixem-nos viver! Deixem Cuba comprar seus medicamentos; deixem Cuba importar seu combustível; deixem Cuba receber investimentos, empréstimos, financiamento e manter relações normais com seus emigrantes e com o mundo. Deixem Cuba mostrar ao mundo do que este povo é capaz quando não há obstáculos aos seus esforços para se reerguer!"

