O presidente russo Vladimir Putin revelou "coisas que ninguém sabe" sobre a Ucrânia no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, nesta sexta-feira (5). Segundo ele, alguns dias antes do ataque ucraniano contra estudantes na cidade russa de Starobelsk, na República Popular de Lugansk, que matou 21 jovens, Kiev ofereceu uma reunião à Rússia.
"Já que o lado ucraniano considerou possível dar um aspecto público às nossas relações neste momento [...] isso me dá a oportunidade e o direito de dizer algumas coisas que poucas pessoas sabem ou que ninguém sabe ainda", começou Putin.
Segundo Putin, há três semanas um representante do meio empresarial russo o procurou informando ter sido convidado a ir a Kiev. O presidente russo relatou que inicialmente questionou a necessidade de sua autorização, mas o empresário insistiu em comunicá-lo por tratar-se de assunto envolvendo as relações entre os dois países.
Putin esclareceu que não poderia designá-lo para nenhuma função oficial, pois questões dessa natureza deveriam ser conduzidas por profissionais qualificados do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Defesa e de outros órgãos competentes, tal como ocorreu nas negociações de Istambul. Ainda assim, o presidente russo autorizou a viagem.
O representante empresarial viajou a Kiev, reuniu-se com Zelensky em sua residência e, ao retornar, encontrou-se com Putin. Foi então que o líder russo soube da solicitação de reunião feita pelo presidente ucraniano.
"Bem, deixando de lado toda a palhaçada, o mais importante é que o senhor [Vladimir] Zelensky pediu uma reunião. Eu digo: nunca me recusei. Mas se reunir para, como dizemos por aqui, trocar vazio por vazio — eu sei, já passei por isso", declarou Putin, recordando os Acordos de Minsk.
"Passamos a noite inteira formulando os Acordos de Minsk e depois veio a público, pela boca dos próprios chefes de governo da Alemanha e da França, que aquilo não passava de uma história vazia, que todos os Acordos de Minsk tinham um único propósito: ganhar tempo para rearmar a Ucrânia", rememorou o chefe de Estado russo.
"Para que queremos esses acordos? Bom, pois digo que não vejo sentido em me reunir", afirmou o presidente, argumentando que não vê sentido em reuniões cujo único objetivo, para o lado ucraniano, seria deter o avanço das forças armadas russas. "Nós precisamos de acordos não para seis meses nem para três meses, mas de longo prazo histórico", afirmou Putin.
Putin afirmou que isso ocorreu no dia 21 de maio e que, em 22 de maio, as forças ucranianas realizaram um terrível ataque terrorista contra um dormitório estudantil na República Popular de Lugansk.
Ataque terrorista
A Rússia classificou o ataque como um "ato terrorista" e um crime de guerra flagrante. A Comissão de Investigação da Rússia afirmou que militares ucranianos atacaram o local deliberadamente com vários drones do tipo avião. Foi aberta uma investigação por terrorismo.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou o ataque como "bárbaro" e criticou o Ocidente por ignorar o ocorrido. Da mesma forma, o órgão afirmou que esse tipo de ataque com armas de longo alcance, fornecidas a Kiev pela OTAN, é realizado com "assistência técnica de especialistas estrangeiros" de países do bloco militar.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, condenou o ataque e se dirigiu às Forças Armadas do regime de Kiev, exortando os militares ucranianos a deixarem de cumprir ordens ilegais. Além disso, enfatizou que "não há nenhum alvo militar próximo à residência" e garantiu que o impacto não foi acidental, já que 16 drones atacaram o mesmo local em três ondas.
Resposta russa
Em 24 de maio, dois dias após a agressão, o Ministério da Defesa da Rússia informou que atacou alvos militares na Ucrânia em resposta aos crimes do regime de Kiev contra civis russos, em particular ao bombardeio mortal de Starobelsk.
Em um ataque massivo contra a cidade e a província de Kiev, foram utilizados mísseis balísticos Oreshnik, aerobalísticos Iskander, aerobalísticos hipersônicos Kinzhal e de cruzeiro Tsirkon. Também foram empregados mísseis de cruzeiro de base aérea, marítima e terrestre, além de drones de ataque.
O Ministério da Defesa russo especificou que "não foram planejados nem realizados ataques contra instalações de infraestrutura civil da Ucrânia".
Além disso, a Rússia anunciou o início de ataques sistemáticos contra as empresas do complexo militar-industrial de Kiev que abastecem esse tipo de ação.
"Tudo isso esgotou a paciência. Nas condições atuais, as Forças Armadas da Federação da Rússia estão começando a realizar ataques sistemáticos contra empresas da indústria de defesa ucraniana em Kiev", comunicou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia no dia 25 de maio.