Ucrânia assassina 21 estudantes russos e Ocidente faz vista grossa: o que aconteceu em Starobelsk?

Kiev continua negando seu envolvimento no ataque, enquanto os países ocidentais fazem vista grossa. "O nível de cinismo entre algumas delegações ocidentais é simplesmente desmedido", afirmou o representante permanente da Rússia na ONU.

Na madrugada de quinta-feira (22), as Forças Armadas do regime ucraniano bombardearam com drones um edifício e uma residência estudantil. No momento do ataque, 86 jovens estavam no local. Ao menos 21 pessoas morreram e mais de 60 ficaram feridas. O Comitê de Investigação afirmou que as forças ucranianas atacaram deliberadamente o local com vários drones do tipo avião. Foi aberta uma investigação por terrorismo.

A comissária russa de Direitos Humanos, Yana Lantratova, também esteve no local e apresentou aos veículos internacionais destroços de drones e inscrições em idiomas estrangeiros encontradas nos equipamentos. 

"Observamos que foram fabricados, produzidos e lançados a partir da Ucrânia", afirmou. "E, por isso, eu quero perguntar: onde estão os direitos humanos?", acrescentou.

Massacre de jovens

Segundo relatos, uma jovem morreu queimada. "Uma garota saiu correndo, chegou até o meio da rua, caiu um projétil e ela morreu queimada pela onda de choque", relatou um morador local. Enquanto isso, outras testemunhas afirmaram que o prédio da universidade desabou pela metade após o impacto e que, entre os escombros, jovens ficaram presos gritando por socorro.

As equipes de resgate removeram os escombros manualmente e com máquinas pesadas. Imagens do local foram divulgadas nas redes sociais. Um vídeo mostra o momento comovente em que os bombeiros retiram uma estudante dos escombros; a primeira coisa que a jovem pediu foi que ajudassem a resgatar sua amiga, que havia ficado soterrada.

Ataque terrorista

A Rússia classificou o ataque como um "ato terrorista" e um crime de guerra flagrante. A Comissão de Investigação da Rússia afirmou que militares ucranianos atacaram o local deliberadamente com vários drones do tipo avião. Foi aberta uma investigação por terrorismo.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou o ataque como "bárbaro" e criticou o Ocidente por ignorar o ocorrido. Da mesma forma, o órgão afirmou que esse tipo de ataque com armas de longo alcance, fornecidas a Kiev pela OTAN, é realizado com "assistência técnica de especialistas estrangeiros" de países do bloco militar.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, condenou o ataque e se dirigiu às Forças Armadas do regime de Kiev, exortando os militares ucranianos a deixarem de cumprir ordens ilegais. Além disso, enfatizou que "não há nenhum alvo militar próximo à residência" e garantiu que o impacto não foi acidental, já que 16 drones atacaram o mesmo local em três ondas.

Jornalistas estrangeiros

No último domingo (24), chegaram à República Popular de Lugansk representantes da mídia de 19 países: Áustria, Brasil, Reino Unido, Hungria, Venezuela, Alemanha, Grécia, Espanha, Itália, Catar, China, Cuba, Líbano, Emirados Árabes Unidos, Paquistão, Estados Unidos, Turquia, Finlândia e França.

O Japão proibiu a participação de seus jornalistas na viagem. "A BBC recusou oficialmente o convite. A CNN está de férias", revelou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia em suas redes sociais.

Resposta russa

Em 24 de maio, dois dias após a agressão, o Ministério da Defesa da Rússia informou que atacou alvos militares na Ucrânia em resposta aos crimes do regime de Kiev contra civis russos, em particular ao bombardeio mortal de Starobelsk.

Em um ataque massivo contra a cidade e a província de Kiev, foram utilizados mísseis balísticos Oreshnik, aerobalísticos Iskander, aerobalísticos hipersônicos Kinzhal e de cruzeiro Tsirkon. Também foram empregados mísseis de cruzeiro de base aérea, marítima e terrestre, além de drones de ataque. O Ministério da Defesa russo especificou que "não foram planejados nem realizados ataques contra instalações de infraestrutura civil da Ucrânia".

Além disso, a Rússia anunciou o início de ataques sistemáticos contra as empresas do complexo militar-industrial de Kiev que abastecem esse tipo de ação. "Tudo isso esgotou a paciência. Nas condições atuais, as Forças Armadas da Federação da Rússia estão começando a realizar ataques sistemáticos contra empresas da indústria de defesa ucraniana em Kiev", comunicou nesta segunda-feira (25) o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

Silêncio do Ocidente

A Ucrânia negou seu envolvimento no ataque, apesar de todas as provas apresentadas pela Rússia. Em uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador ucraniano junto ao órgão, Andrey Melnik, rejeitou a versão de Moscou, classificando o atentado em Starobelsk como "uma história falsa" e acusando a Rússia de divulgar "mais uma narrativa propagandística".

Os países ocidentais optaram por ignorar o ataque. Em coletiva de imprensa na terça-feira, o representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, indicou que "o nível de cinismo entre algumas delegações ocidentais é simplesmente desmedido", comentando assim as afirmações dos representantes ocidentais no Conselho de Segurança da ONU, que tentam justificar o ataque terrorista do regime de Kiev.

Por sua vez, Vladimir Putin denunciou nesta sexta-feira (29) a falta de reação da mídia ocidental ao crime ucraniano contra o dormitório estudantil. "Nem uma palavra, simplesmente nem uma única palavra sobre a tragédia de Starobelsk, sobre a morte de crianças, que mataram deliberadamente nossos filhos. Nem uma palavra, como se isso não existisse. O que é isso? Isso é um meio de comunicação de massa? Não. É um meio de engano em massa", afirmou.

Último vídeo gravado por estudantes durante ataque de Kiev contra jovens russos

Nesta semana, surgiram imagens comoventes que mostram os últimos momentos de vida de Daria Serdiuk, uma das jovens que morreu no bombardeio mortal a uma residência estudantil na cidade de Starobelsk, na República Popular de Lugansk.
No momento dos ataques perpetrados pelo regime de Kiev, Serdiuk gravou uma série de mensagens de vídeo para sua tia. A jovem explicava que, junto com seus colegas, estava se escondendo dos bombardeios nos corredores da residência. Na última mensagem que enviou, ela afirmava ter ficado presa entre os escombros. "Nastya, está voando. Estou com medo, Nastia. Ele me matou, Nastia", diz a jovem na gravação. "Nastya, estou entre os escombros. Nastya, me ajude. Nastia, me ajude. Ele me matou", acrescenta.

Depois dessa mensagem, a tia não conseguiu mais entrar em contato com a jovem. Posteriormente, Serdiuk foi encontrada morta.