
Putin diz que mídia ocidental é 'instrumento de desinformação em massa'

O presidente russo, Vladimir Putin, criticou duramente nesta sexta-feira (29) a mídia ocidental por ter culpado a Rússia pelos ataques de retaliação contra a Ucrânia, em vez de condenar o massacre de estudantes no ataque com drones realizado por Kiev. A ação contra um alojamento estudantil na cidade de Starobelsk, na República Popular de Lugansk, deixou 21 mortos na madrugada do último dia 22 de maio.
"Sobre o fato de atacarmos a região de Kiev, desde a manhã até altas horas da noite: 'o agressor malvado atacou novamente', 'tal e tal destruição', 'tal e tal problema'", disse o presidente, referindo-se às reportagens da mídia ocidental, durante uma coletiva de imprensa no âmbito de sua visita de Estado ao Cazaquistão.
Em seguida, denunciou: "Nem uma única palavra, nem uma única palavra sobre a tragédia de Starobelsk, nem sobre o fato de que morreram crianças, de que mataram deliberadamente nossas crianças. Nem uma única palavra, como se não existisse. O que é isso? Um meio de comunicação de massa? Não. É um instrumento de engano em massa".

Ao mesmo tempo, o presidente destacou a manipulação da informação pela imprensa ocidental. Putin revelou que esses meios de comunicação "mostram os drones com os quais a Ucrânia lança ataques", ao mesmo tempo em que "insinuam aos seus cidadãos: é preciso abrir os cordões da bolsa, é preciso pagar". "É isso que os meios de comunicação fazem? Não, não é", concluiu.
Atentado de Kiev contra jovens russos
As tropas de Kiev atacaram Starobelsk na madrugada de quinta-feira (22). No momento do ataque, 86 jovens estavam na residência estudantil. Ao todo, 21 pessoas morreram e mais de 60 ficaram feridas.
O Comitê de Investigação afirmou que as Forças Armadas da Ucrânia atingiram deliberadamente o local com vários drones de asa fixa. Foi aberta uma investigação por terrorismo.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou como "bárbaro" o ataque ucraniano contra os estudantes e criticou o fato de o caso ter sido ignorado no Ocidente. A pasta também afirmou que esse tipo de ataque com armas de longo alcance fornecidas a Kiev pela OTAN é realizado com "assistência técnica de especialistas estrangeiros" de países da aliança militar.
O ministério anunciou nesta segunda-feira (26) que as forças russas realizarão "ataques sistemáticos" contra instalações do complexo militar-industrial em Kiev, em resposta aos crimes cometidos pelo Exército ucraniano contra a população civil.
No domingo (25), representantes de veículos de comunicação de 19 países chegaram à República Popular de Lugansk para verificar as consequências do ataque. Participaram jornalistas da Áustria, Brasil, Reino Unido, Hungria, Venezuela, Alemanha, Grécia, Espanha, Itália, Catar, China, Cuba, Líbano, Emirados Árabes Unidos, Paquistão, Estados Unidos, Turquia, Finlândia e França.
Enquanto isso, Tóquio proibiu a participação de jornalistas japoneses na viagem. "A BBC recusou oficialmente o convite. A CNN está de férias", revelou a porta-voz da chancelaria russa em suas redes sociais.
Visita de Putin ao Cazaquistão
Vladimir Putin chegou ao Cazaquistão na quarta-feira (27) para uma visita oficial de três dias. No aeroporto, ele foi recebido pessoalmente por seu homólogo cazaque, Kasym-Yomart Tokayev. A última visita de Estado de Putin ao país ocorreu em novembro de 2024.
O Cazaquistão continua sendo um dos principais parceiros da Rússia na Eurásia. A cooperação entre Moscou e Astana há muito ultrapassou a diplomacia formal e a economia, abrangendo os setores de energia, infraestrutura, segurança, cultura e laços humanitários.
A Rússia, por sua vez, continua sendo um dos principais parceiros comerciais do Cazaquistão. O volume total de investimentos russos na economia cazaque nas últimas duas décadas chega a cerca de US$ 29 bilhões.

