A partir desta sexta-feira (5), entram em vigor as designações do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como Organizações Terroristas Estrangeiras pelos Estados Unidos.
Em 28 de maio, o Departamento de Estado já havia incluído os grupos na lista de "Terroristas Globais Especialmente Designados", o que bloqueou ativos sob jurisdição dos EUA e abriu caminho para a etapa agora formalizada.
O que muda na prática
Com a entrada em vigor, PCC e CV passam a ser oficialmente tratados como organizações terroristas pela legislação norte-americana. Na prática, isso amplia o alcance de mecanismos de contraterrorismo e endurece instrumentos de sanção.
Entre os principais efeitos estão:
- Inclusão das facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO)
- Ampliação de sanções financeiras e bloqueio de ativos ligados aos EUA
- Possíveis restrições de visto e entrada em território americano para pessoas associadas
- Maior atuação de órgãos de contraterrorismo em investigações
Apesar disso, a medida não altera a legislação brasileira. No Brasil, PCC e CV seguem classificados comoorganizações criminosas.
Impactos
O pesquisador Feliciano Guimarães, diretor acadêmico do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), afirmou em entrevista ao g1 que há risco de sanções indiretas a instituições financeiras e empresas com atuação internacional.
"Bancos brasileiros que têm ativos no mercado americano, empresas brasileiras que tenham ações no mercado americano, inclusive a Petrobras (...) podem sofrer sanções diretas", disse.
Guimarães também aponta possível impacto na cooperação entre autoridades dos dois países.
"Sem o lado americano, fica mais difícil combatermos o PCC e CV aqui. (...) gera problema no relacionamento já estabelecido entre as agências brasileiras", afirmou.
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Críticas
O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que o combate ao crime organizado ligado ao PCC e ao CV não pode ser usado como "pretexto para intervenção", logo após o anúncio dos EUA.
"Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas", disse.
Amorim também já criticou a equiparação entre facções e terrorismo e defendeu que o enfrentamento ao PCC e ao CV deve ser feito de forma coordenada, sem riscos à soberania nacional.
Cooperação internacional
A decisão dos EUA ocorre em meio à ampliação de acordos de cooperação em segurança na América do Sul. Em 15 de dezembro de 2025, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio assinou em Washington um acordo com o Paraguai para reforçar o combate ao crime organizado.
O pacto prevê ações conjuntas contra o narcotráfico, além de treinamento de forças de segurança e apoio humanitário. Segundo o governo paraguaio, o objetivo é fortalecer o enfrentamento ao crime transnacional.
Rubio afirmou que o acordo amplia a integração entre forças de segurança. O chanceler do Paraguai disse que a parceria reforça o combate ao tráfico de drogas e de pessoas.