
Díaz-Canel reage à declaração de Rubio de que não existe um bloqueio petrolífero contra Cuba

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta quarta-feira (6) considerar surpreendente que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negue publicamente a existência de um bloqueio petrolífero contra a ilha. Segundo o presidente cubano, a declaração contradiz o que foi estabelecido em um decreto presidencial e em diversas manifestações oficiais do governo norte-americano.
"É surpreendente que um alto funcionário do governo dos EUA declare publicamente que seu governo não aplica um bloqueio energético contra Cuba, sem conhecer o disposto na Ordem Executiva de seu próprio presidente, de 29 de janeiro passado", escreveu o presidente em suas redes sociais, sem mencionar Rubio diretamente.

Na mesma linha, o presidente cubano questionou o fato de Rubio "não ter ouvido seu presidente e a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, se referirem ao assunto". Díaz-Canel também rejeitou a acusação de "incompetência" dirigida às autoridades cubanas. Segundo ele, Washington destinou grandes recursos econômicos e políticos para tentar pôr fim à Revolução Cubana.
"É igualmente surpreendente que ele culpe a suposta incompetência dos cubanos pelas dificuldades que a economia enfrenta, economia que o próprio governo norte-americano se propôs e se propõe hoje a destruir, investindo recursos consideráveis e capital político para alcançar esse objetivo".
Na véspera, o secretário de Estado dos EUA afirmou em uma coletiva de imprensa que "não há um bloqueio petrolífero contra Cuba 'em si'". Em vez disso, culpou Havana por sua situação energética, ao afirmar – sem provas e contrariando o que consta na documentação oficial – que recebia "petróleo de graça" da Venezuela e que Caracas decidiu livremente cortar o fluxo.
Ameaça dos EUA a Cuba
- Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um decreto que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança dos Estados Unidos e da região. O texto acusa o governo cubano de se aliar a "inúmeros países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir a implantação na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
- Com base nisso, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, além de ameaças de retaliação contra aqueles que agirem contra a ordem executiva da Casa Branca.
- A medida é tomada em meio a uma escalada entre Washington e Havana, que, sistematicamente, tem rejeitado essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".
- No dia 7 de março, Trump anunciou que "uma grande mudança chegará em breve a Cuba", acrescentando que o país está chegando "ao fim da linha".
- Os EUA mantêm o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi agora reforçado com inúmeras medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.
