Ambulância? Só pagando — RT Reporta

Na Cidade do México não existe SAMU. Pedir uma ambulância pode até custar a sua vida. As deficiências estruturais do sistema pré-hospitalar têm provocado o surgimento de ambulâncias privadas que operam à noite caçando chamadas de socorro, enquanto a Polícia, às vezes, cobra comissões ilegais delas. Além disso, essa rede clandestina transporta os pacientes para clínicas irregulares com tarifas exorbitantes. Diante do olhar parcial das autoridades, a saúde é leiloada para o maior lance.

A Cidade do México é uma selva de concreto onde a disputa por espaço não afeta apenas os moradores, mas também as ambulâncias.

O atendimento médico de emergência, que deveria ser um direito, transforma-se em uma corrida contra o tempo onde o dinheiro pode determinar quem é atendido e quem fica à espera.

Falhas no atendimento: quando ligar para a emergência não basta

A desconfiança nos serviços de emergência tem motivos concretos. Um empresário local conta que uma emergência médica em seu estabelecimento terminou em uma situação dramática: após acionar os serviços de emergência, a ajuda demorou a chegar e os paramédicos se recusaram a atender a paciente, alegando ter recebido ordens para deixar o local.

A mulher sofreu uma lesão cerebral por falta de oxigênio, com sequelas permanentes.

Ambulâncias piratas: um negócio que explora a emergência

Onde o Estado não consegue atender à demanda, as chamadas ambulâncias piratas encontram espaço para operar. Essas unidades atuam à margem da lei e se aproveitam da escassez de ambulâncias oficiais para abordar pacientes em situações críticas.

O esquema também envolveria um sistema de comissões e propinas entre intermediários e hospitais privados. Para as famílias, as consequências podem ser graves: além de cobranças exorbitantes, pacientes em situação de vulnerabilidade podem acabar transferidos para clínicas desconhecidas, sem condições de avaliar adequadamente as opções de atendimento.