Erva-mate: Colheta amarga — RT Reporta

Na Argentina, o mate define a identidade do país. Porém, quem o cultiva está sendo esmagado pelo colapso econômico. A desregulação predatória do mercado e a queda do preço da erva trituraram a dignidade dos pequenos produtores. Com o sistema lavando as mãos, famílias inteiras são empurradas para a miséria e o êxodo forçado. Os que ficam resistem: lutam não só para salvar os ervais, mas para sobreviver.

Na Argentina, o mate é a bebida nacional por excelência; um ritual que une a todos, independentemente da hora ou do motivo.

No entanto, por trás da erva-mate e da "bombilla" (a bomba, do nosso chimarrão), esconde-se uma realidade alarmante: muitos produtores se recusam a colher, o que acarreta consequências negativas para a vida dos agricultores e suas comunidades.

No nordeste da Argentina, as plantações de erva-mate se estendem por diversas regiões da província das Missões e são o terreno fértil para cerca de 12 mil pequenos produtores.

Nesse cenário de agricultura familiar, a crise impacta diretamente o sustento das famílias.

Situação econômica e deslocamento

A situação econômica é crítica: o preço atual do quilo de folhas verde não passa de 20 centavos de dólar, uma queda drástica em comparação com 2023, quando o valor era mais de três vezes maior.

Segundo os produtores, a falta de um preço de referência se deve à interrupção da atuação do governo federal como árbitro do mercado.

A crise levou a um fenômeno de deslocamento em algumas cidades, como Comandante Andresito.

A ausência de homens adultos é notável nas ruas, pois eles partiram em busca de um futuro mais promissor.

Essa realidade afeta profundamente as crianças. Na Escola Popular nº 124, a diretora, Fabiana Vázquez, relata como as famílias estão sendo desfeitas, com pais ausentes e avós cuidando das crianças.

Entre os alunos, o caso de Cristian Gómez ilustra essa dor: seu pai emigrou para o Brasil meses atrás e ele, aos 17 anos, precisa cuidar da família na Argentina.