Segundo turno no Brasil: 'Não se trata de uma afirmação, mas de uma rejeição' — Entrevista RT

O Brasil encara um segundo turno presidencial com uma diferença acirrada. No programa "Entrevista", da RT, Paulo Roberto de Souza, coordenador do Instituto Democracia em Xeque, analisa qual cenário aguarda o país dependendo de quem vencer. O que explica a votação de Flávio Bolsonaro no primeiro turno? Como votarão os indecisos? O progressismo tem futuro no Brasil sem Lula? Além disso, aborda a interferência dos EUA nessas eleições e o impacto dos resultados no Mercosul e nos BRICS.

O avanço de Flávio Bolsonaro nas eleições brasileiras é resultado, em grande parte, da força do bolsonarismo e da rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e não necessariamente de uma identificação direta do eleitorado com o senador, afirma Paulo Roberto de Souza, coordenador do Instituto Democracia em Cheque, em entrevista sobre o cenário político do país.

Segundo o analista, a campanha de Flávio se beneficiou da popularidade do pai, Jair Bolsonaro, e de décadas de fortalecimento do antipetismo.

Para Souza, a candidatura também enfrenta dificuldades para apresentar propostas concretas para o futuro do país, limitando-se a criticar o governo atual e defender mudanças.

Outro fator importante é o fortalecimento político e cultural do agronegócio, sobretudo em cidades pequenas e regiões do interior.

De acordo com Souza, o setor ampliou sua influência por meio de canais próprios de comunicação, redes sociais e manifestações culturais, contribuindo para consolidar o apoio à extrema-direita nessas localidades.

Polarização e política externa

O especialista também destacou o desgaste provocado pela polarização política, que ajuda a explicar a elevada abstenção eleitoral.

Na avaliação dele, a disputa tem sido marcada mais pela rejeição aos adversários do que pela adesão a projetos políticos específicos.

Souza ainda alertou para possíveis consequências internacionais de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, incluindo o enfraquecimento do Mercosul e dos BRICS e uma maior aproximação de Washington.

Já uma nova vitória de Lula, segundo o analista, tenderia a preservar a atual orientação multilateral da política externa brasileira, embora o país continue enfrentando dificuldades para superar a polarização e formar novas lideranças progressistas.