Se a integração regional da América Latina for só governamental, estará à mercê de altos e baixos políticos - Entrevista RT

Tornar a integração regional em um valor no mundo acadêmico fará com que as mudanças de governo sejam menos determinantes para a América Latina, diz Diana Araujo, reitora da UNILA, sobre a influência das universidades na situação política da região. Como a universidade incentiva a integração regional? Quais são seus projetos científicos? Quais medidas foram adotadas na UNILA para aumentar a participação das mulheres no âmbito acadêmico? Veja em 'Entrevista', da RT.

A primeira mulher eleita reitora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Diana Araujo, defendeu em entrevista à RT que a integração regional precisa ir além dos governos e ser construída por meio da educação, da ciência e da convivência entre os povos. Ela afirmou que as universidades têm papel estratégico para dar continuidade a esse projeto, independentemente das mudanças políticas na América Latina.

Segundo a reitora, eventos como a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada recentemente em Foz do Iguaçu, reforçam o protagonismo da região e aproximam a universidade dos debates sobre integração.

"Língua tem que ser uma ponte"

Araujo destacou que a UNILA reúne cerca de 5 mil estudantes, dos quais 35% são estrangeiros, além de uma expressiva presença de indígenas e haitianos.

Nesse ambiente multicultural, afirmou, o português e o espanhol convivem com línguas como o guarani e o crioulo haitiano. "A língua não pode ser uma barreira; tem que ser uma ponte", resumiu.

A reitora também avaliou que as universidades federais ainda tem dificuldades para recuperar o orçamento perdido nos últimos anos, embora reconheça avanços na atual gestão federal. Como exemplo, citou a retomada das obras do campus Arandu, projetado por Oscar Niemeyer e paralisado desde 2014, agora financiado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Cooperação na área de tratamento

Na área de pesquisa, ela destacou projetos sobre cannabis medicinal voltados ao tratamento de doenças como Parkinson e Alzheimer, além de defender o uso da inteligência artificial como ferramenta para ampliar a produção científica e preservar patrimônios culturais.

Um dos exemplos é a plataforma Dandara, desenvolvida por uma estudante para valorizar a memória das comunidades quilombolas.

Liderança feminina

Primeira mulher a comandar a UNILA, Araújo também abordou os desafios da liderança feminina na academia.

Embora as mulheres sejam maioria na pós-graduação, ainda ocupam poucos cargos de decisão. Para ela, romper o chamado "teto de vidro" depende de mudanças culturais e de políticas que ampliem a participação feminina nos espaços de poder.