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Crise no Paraguai: sessão do Congresso que decidiria sobre renúncia de Peña é cancelada

O Congresso não conseguiu decidir sobre a renúncia do presidente, apresentada horas antes de a Câmara dos Deputados aprovar por unanimidade a abertura de um processo de impeachment contra ele.
Crise no Paraguai: sessão do Congresso que decidiria sobre renúncia de Peña é canceladaYouTube / SenadoTV py

A sessão conjunta do Congresso do Paraguai, convocada para analisar arenúncia do presidente Santiago Peña, foi encerrada por falta de quórum na Câmara dos Deputados. Conforme informou oficialmente o Senado, o presidente do Congresso, Basilio Núñez, decidiu encerrar a reunião após constatar que não havia deputados suficientes presentes.

A situação deixa a renúncia de Peña sem decisão, em meio ao escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank, e mantém indefinida a possível posse do vice-presidente Pedro Alliana.

Os deputados do governista Partido Colorado abandonaram a sessão conjunta das duas Casas após não conseguirem reunir os votos necessários para aceitar a renúncia de Peña. Durante a análise do pedido, Basilio Núñez solicitou a verificação do quórum e, diante da ausência de parlamentares suficientes, decidiu encerrar a sessão.

Com isso, Peña continua sendo presidente do Paraguai, apesar de ter apresentado sua renúncia e de a Câmara dos Deputados ter aprovado, por unanimidade, com 78 votos, a abertura de um processo de impeachment contra ele.

A crise política começou após a intervenção no Ueno Bank, instituição financeira com a qual o presidente mantinha vínculos empresariais e cuja quebra deixou milhões de clientes sem acesso às suas contas.

Diante desse cenário, o Senado convocou uma sessão extraordinária para as 19h30, com o objetivo de dar continuidade ao processo de impeachment contra Peña, conforme informou a emissora paraguaia Ñandutí. A convocação ocorreu após a Câmara dos Deputados encaminhar a acusação ao Senado e o fracasso da sessão conjunta que deveria decidir sobre a renúncia presidencial.

Agora, o Senado deverá analisar a acusação e decidir se o presidente deve ser destituído. Para isso, será necessário o voto favorável de dois terços de seus integrantes. Caso seja considerado culpado, Peña perderá o cargo e não poderá assumir a condição de senador vitalício, conforme estabelece a Constituição paraguaia.

Sessão tumultuada

O debate na sessão encerrada por falta de quórum foi marcado por fortes confrontos entre governistas e opositores, principalmente sobre as consequências de aceitar a renúncia de Peña.

O senador liberal Líder Amarilla alertou que, caso a renúncia fosse aprovada, o presidente passaria à condição de senador vitalício e obteria imunidade parlamentar.

"Se aceitarmos esta renúncia, o que estaremos fazendo é permitir que Santiago Peña obtenha imunidade parlamentar e que todo o dinheiro que foi roubado fique impune", denunciou Amarilla, conforme o jornal ABC Color.

Por sua vez, o deputado colorado Yamil Esgaib defendeu a aceitação da renúncia para encerrar a crise política.

"Nosso argumento para aceitar é a rapidez necessária para passar a outro assunto", afirmou.

Esgaib acrescentou que o Senado poderia analisar posteriormente um eventual pedido de retirada da imunidade parlamentar de Peña, caso fosse apresentado pelo Ministério Público.

A crise começou quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do país, deixando milhões de clientes sem acesso às suas contas.

A quebra provocou protestos em massa de correntistas, que exigiram a devolução dos depósitos e a responsabilização política pelo escândalo.

A pressão sobre Peña aumentou devido aos seus vínculos empresariais com o conglomerado financeiro e às denúncias sobre a administração de recursos públicos e previdenciários.

Após perder o apoio do Partido Colorado, o presidente apresentou sua renúncia . Entretanto, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 votos, a abertura do processo de impeachment.

A falta de quórum na sessão conjunta realizada posteriormente impediu uma decisão sobre a renúncia e manteve aberta a crise institucional.

Peña rompe o silêncio e promete se defender

Em meio a rumores sobre uma possível saída do país, Peña publicou uma mensagem nas redes sociais na qual garantiu que comparecerá ao Senado para apresentar sua defesa no processo de impeachment.

"Mesmo que já tenham antecipado sua decisão, vou exercer esse direito", afirmou o presidente, que prometeu colaborar com as instituições para esclarecer o ocorrido e determinar as responsabilidades pelo escândalo financeiro.

Peña também defendeu que a crise política não atrase a devolução do dinheiro aos clientes afetados pela quebra do Ueno Bank.

"O pagamento aos poupadores não pode ficar condicionado ao que acontecer comigo", declarou.

"Minha sorte pessoal não está acima do Paraguai", acrescentou Peña, que garantiu que respeitará o resultado do processo, seja qual for.