Brasileiros têm dinheiro bloqueado após quebra de banco no Paraguai; BC anuncia devolução

Brasileiros que vivem no Paraguai estão entre os clientes que ficaram com dinheiro bloqueado após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank, instituição digital que teve suas operações interrompidas. O BC paraguaio anunciou um plano para devolver os recursos, enquanto correntistas relatam dificuldades para acessar suas economias. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.
A autoridade monetária informou que os valores serão transferidos para outras instituições financeiras, que deverão disponibilizar o dinheiro. Quem já possui conta em outro banco receberá os recursos por meio dessa instituição, enquanto os demais terão contas temporárias abertas para realizar os saques.
O engenheiro de software brasileiro Dellean Santos Teixeira, de 36 anos, relatou ao jornal O Globo que a paralisação afetou principalmente quem concentrava suas economias no Ueno Bank. Morador do Paraguai há três anos, ele mantém recursos em diferentes instituições e conseguiu reduzir o impacto financeiro.
"Quem era empresário está de boa, porque tem fluxo de caixa e também várias contas. Tem uma galera que só tinha Ueno e ficou apertada", afirmou.
A empresária Isabela, de 21 anos, filha de um brasileiro e moradora de Santa Rita, conseguiu transferir seu dinheiro antes da intervenção. Sua mãe e sua irmã, entretanto, permaneceram com valores bloqueados. Ela contou que decidiu retirar os recursos depois de ouvir rumores sobre a situação financeira do banco.
Devolução dos recursos
Segundo o jornal paraguaio Hoy, os clientes receberão notificações por e-mail com informações sobre os valores a que têm direito e o banco responsável pela transferência. As mensagens também indicarão eventuais dívidas vencidas a serem descontadas do montante.
Cerca de 280 mil clientes que não possuem contas em outros bancos serão distribuídos entre instituições financeiras que abrirão contas provisórias por 90 dias. Durante esse período, os correntistas poderão sacar o dinheiro ou apresentar a documentação necessária para manter a nova conta.
Os pagamentos iniciais correspondem a adiantamentos do Fundo de Garantia de Depósitos. A cobertura total prevista é de 228,3 milhões de guaranis (cerca de R$ 205,7 mil), enquanto uma lei aprovada nesta semana permite antecipações de até 121 milhões de guaranis (cerca de R$ 106,8 mil). Valores superiores ao adiantamento poderão ser recuperados posteriormente.
Crise bancária
O Ueno Bank chegou a 2,9 milhões de clientes, número equivalente a aproximadamente 40% da população paraguaia. Segundo os correntistas ouvidos pelo Globo, a facilidade para abrir contas digitais, sem as exigências documentais dos bancos tradicionais, ajudou a atrair estrangeiros, incluindo brasileiros que se mudaram para o país.
"A facilidade foi a maior isca deles", afirmou Isabela, que abriu sua primeira conta na instituição há três anos. A empresária também relatou dificuldades para pagar a fatura de um cartão de crédito do Ueno após a interrupção dos serviços.
A intervenção ocorreu diante da descapitalização do banco e desencadeou uma crise política no Paraguai. O episódio levou à prisão preventiva de oito executivos ou ex-executivos da instituição e à renúncia do presidente e de dois diretores do Banco Central. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou a renúncia em 5 de novembro, em meio à crise desencadeada.

