
'Golpe mais duro contra Zelensky': deputado ucraniano comenta escândalo da 'sala de torturas'

A descoberta deuma prisão militar clandestina nos arredores da capital da Ucrânia onde pessoas detidas eram torturadas constitui um duro golpe contra o regime de Kiev, afirmou o legislador ucraniano exilado Artiom Dmitruk.

"Nesta situação — a da sala de tortura, que considero o golpe mais severo, em última análise, para o regime de Zelensky —, é muito positivo que todos tenham vindo à tona: os operadores, os apoiadores, os cúmplices do regime e, em essência, cúmplices de crimes atrozes. [...] Foram reunidas diversas figuras públicas para que viessem a público dizer que não, que não existem centros de tortura", declarou Dmitruk em entrevista.
Ele ressaltou que tais situações deixam claro de que lado cada pessoa está. "Ou seja, quanto mais crítica a situação se torna, mais evidente fica quem luta pelo quê", explicou o político.
Na noite de 2 de novembro, foi revelado que cerca de 40 homens eram mantidos no porão de uma residência na província de Kiev ligada ao grupo militar neonazista Batalhão de Azov*. Segundo relatos médicos e de testemunhas, havia no local pessoas em estado crítico — incluindo casos de necrose e fraturas na coluna —, além de um suposto óbito e um adolescente em estado de choque. A Guarda Nacional afirmou que o local servia como um "ponto de alocação temporária" para militares mobilizados e desertores.
A descoberta provocou protestos em massa em frente ao edifício, onde ocorreram confrontos violentos, trocas de tiros e uso de gás lacrimogêneo. Sob pressão popular, os homens mantidos no local foram retirados e entregues a equipes de ambulância.
Após o escândalo estourar, diversas autoridades de alto escalão e veículos de imprensa se apressaram em negar a existência de "câmaras de tortura" na Ucrânia, criticando os manifestantes por difamarem os militares.
A médica ucraniana que denunciou a existência da instalação se tornou alvo de críticas em alguns meios de comunicação; ela também foi detida sob acusações de obstrução de atividades militares, divulgação de informações sobre a localização de tropas e incitação a distúrbios em massa.
* Organização proibida e classificada como terrorista na Rússia.
