O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliou positivamente a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos e espera que a mudança no Congresso contribua para melhorar as relações bilaterais, informou o Metrópoles.
A vitória democrata nas duas Casas do Congresso norte-americano poderá favorecer a retomada de conversas diplomáticas e comerciais que ficaram paralisadas nos últimos meses, período marcado por divergências entre Brasília e Washington.
A nova configuração do Congresso pode facilitar a retomada das negociações sobre as tarifas americanas e ampliar o debate sobre meio ambiente e regulação das big techs, enquanto os democratas ganham mais poder para fiscalizar e limitar as iniciativas de Trump.
"Viva a Democracia"
Nas redes sociais, integrantes da base governista e aliados do presidente brasileiro também comemoraram o resultado, relacionando o revés do Partido Republicano ao avanço de forças políticas contrárias à extrema-direita.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, celebrou o resultado no X: "Um verdadeiro tsunami americano varreu os EUA. Mudança de rumo no mundo que começou com a onda vermelha aqui no Brasil. Derrota de Trump é uma vitória do mundo democrático. Viva a Democracia".
O deputado André Janones afirmou que a vitória de Lula está inspirando movimentos políticos em outros países.
Já Lindbergh Farias (PT-RJ) relacionou a derrota republicana à resistência internacional contra a extrema-direita.
Tensões entre Brasil e EUA
O governo brasileiro aguardava o resultado das eleições americanas para definir os próximos passos da relação bilateral.
Entre as questões pendentes estão as tarifas impostas a produtos brasileiros, cujas negociações foram retomadas após um telefonema entre Lula e Trump, mas interrompidas durante a campanha eleitoral.
O republicano classificou as eleições brasileiras como "terríveis" e afirmou que a votação teve "aparência de fraude", embora tenha dito que gosta de Lula e mantém uma boa relação com o presidente brasileiro.
Após o resultado que confirmou a vitória de Lula nas eleições, Flávio Bolsonaro tomou a decisão de fugir para Miami junto com sua família, desrespeitando a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que determinou que o senador entregasse seus passaportes, proibindo-o de deixar o Brasil.
A aeronave teria sido providenciada por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, e Trump autorizou a entrada temporária do senador e sua família no território norte-americano.
O senador é alvo de investigações: uma apura um possível pedido de recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, para financiar o filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro. Outro inquérito apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e evasão de divisas.