
Trump fica cada vez mais isolado em disputa sobre eleições brasileiras

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o reconhecimento internacional da vitória do presidente brasileiro deixou Donald Trump com pouco espaço para contestar o resultado das urnas, informa o Metrópoles.
Segundo interlocutores da administração federal ouvidos pela imprensa, a legitimidade do pleito foi confirmada não apenas por lideranças estrangeiras, mas também por partidos da oposição, incluindo o Partido Liberal (PL), e por representantes dos Poderes Legislativo e Judiciário.

Nesse contexto, o Planalto considera que a expressiva votação de Lula — 64 milhões de votos, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro — torna ainda mais difícil sustentar questionamentos sobre o processo eleitoral.
O governo Lula avalia que está em uma posição mais forte agora do que durante a crise do tarifaço, no ano passado.
Na ocasião, o então deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), posteriormente cassado, atuou junto ao governo norte-americano em favor de medidas de retaliação contra o Brasil.
Para integrantes do Executivo, a derrota eleitoral de Flávio também reduziu sua capacidade de mobilizar apoio político no exterior, apesar das tentativas de apresentar-se como uma liderança alternativa ao governo brasileiro.
Planalto evita confronto com Washington
Fontes do Palácio do Planalto avaliam que Lula deve evitar comentar o episódio, para não trazer o caso para o centro das atenções do governo federal, e deixar que a Justiça e a Polícia Federal conduzam as investigações.
Ministros e outros auxiliares de Lula foram aconselhados a evitar declarações contundentes sobre o episódio, numa tentativa de não alimentar as alegações de perseguição política defendidas pela família Bolsonaro.
A administração federal pretende, ainda, aguardar as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para o início de novembro, antes de definir eventuais próximos passos diante do desgaste nas relações bilaterais.
Apesar das divergências com Trump, o Planalto considera possível preservar uma relação pragmática com o país, sobretudo em áreas de interesse comum, como comércio e segurança pública.
Trump volta a atacar o processo eleitoral
O presidente americano retomou as críticas às eleições brasileiras e classificou o resultado como uma "vergonha".
Trump também declarou que pretende conversar com Lula e afirmou que acompanhou a votação, que não tomou partido e que lhe pediram para não se posicionar, sem dizer quem teria feito o pedido.
Questionado sobre quem considera o vencedor legítimo, Trump respondeu que não queria comentar o assunto naquele momento.
Segundo o Metrópoles, ainda não havia solicitação oficial para uma conversa telefônica entre os dois líderes.
Lula e Donald Trump deverão se encontrar até o fim do ano, durante a cúpula do G20, fórum internacional de cooperação econômica e política, que será realizada em Miami.
Fuga para os EUA
Após o resultado que confirmou a vitória de Lula nas eleições, Flávio Bolsonaro tomou a decisão de fugir para Miami junto com sua família, desrespeitando a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que determinou que o senador entregasse seus passaportes, proibindo-o de deixar o Brasil.
A aeronave teria sido providenciada por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, que confirmou ao Metrópoles seu envolvimento na organização da viagem, enquanto Trump autorizou a entrada temporária do senador no território norte-americano.
Flávio poderá solicitar futuramente um green card, e o pedido teria a possibilidade de tramitar de forma acelerada, a exemplo do que ocorreu com seu irmão Eduardo Bolsonaro, que obteve residência permanente nos Estados Unidos.
O senador é alvo de investigações: uma apura um possível pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Outro inquérito apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e evasão de divisas.



