
PF não registra saída de Flávio Bolsonaro; cronologia levanta suspeitas sobre apoio argentino

A Polícia Federal (PF) não tem registro da saída do senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente derrotado, do Brasil, embora circulassem informações de que o senador já estaria a caminho dos Estados Unidos, informou o Metrópoles.
A corporação ainda investiga por qual ponto da fronteira ele deixou o país, já que a PF não confirmou se a travessia ocorreu pela Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú.
Segundo o governo argentino, Flávio entrou na Argentina às 22h50 do dia anterior, pela região de Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, e depois seguiu para o Equador.

O avião que o levaria aos Estados Unidos só decolou pela manhã, uma sequência que difere das versões divulgadas anteriormente e que pode indicar uma tentativa de despistar as autoridades brasileiras.
Flávio utilizou um passaporte italiano para entrar na Argentina, enquanto sua mulher e suas filhas apresentaram documentos brasileiros, informa O Globo.
Assessor de Milei no aeroporto
Outro elemento levantado pelo Metrópoles foi a presença de Santiago Caputo, assessor próximo do presidente argentino Javier Milei, durante a decolagem do avião particular.
A presença do assessor levantou questionamentos sobre uma possível colaboração de pessoas próximas ao governo argentino, mas não confirma a participação oficial de Buenos Aires na operação.
Reação dos aliados de Flávio
A operação pode ter surpreendido até aliados de Flávio: Rogério Marinho, coordenador de sua campanha, afirmou ter recebido uma mensagem às 8h do dia anterior, na qual o senador dizia precisar esfriar a cabeça, sem informar se já havia deixado o Brasil.
Não há evidências de que Marinho soubesse dos planos de Flávio.
Duas investigações sob suspeita
O caso ganhou relevância depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o cancelamento dos passaportes comum e diplomático de Flávio e estabeleceu que ele deveria entregar seus documentos à Polícia Federal, em meio a investigações em andamento e à possibilidade de deixar o território brasileiro.
O senador é alvo de duas investigações: uma apura um pedido de recursos milionários ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, além de suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e evasão de divisas.
A outra examina sua relação com o advogado Willer Tomaz, diante de indícios de movimentações financeiras suspeitas.

