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Governo vê fuga de Flávio Bolsonaro como novo foco de tensão com EUA; entenda

Derrotado na eleição presidencial, Flávio deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina.
Governo vê fuga de Flávio Bolsonaro como novo foco de tensão com EUA; entendaMateus Bonomi/Anadolu/Gettyimages.ru//Kevin Dietsch/Gettyimages.ru

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos pode elevar a tensão entre Brasil e o país norte-americano, informou o portal Metrópoles.

Flávio deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina, acompanhado da mulher e das duas filhas, e teria embarcado rumo aos EUA.

A suspeita de envolvimento da administração americana no episódio aumenta a apreensão. Segundo o advogado mexicano Simón Levy, ligado a Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, teria arquitetado a fuga.

Cenário político americano

O cenário se complica com a proximidade das eleições de meio de mandato nos EUA, que renovarão a Câmara, um terço do Senado e 36 governos estaduais.

Pesquisas indicam risco de os republicanos perderem o controle de ao menos uma das Casas do Congresso. Uma eventual derrota de Trump poderia ampliar a pressão política sobre ele e abrir caminho para um impeachment. Interlocutores do governo brasileiro, citados pela mídia, avaliam que tal cenário tornaria Trump mais favorável a retaliar países com os governos não aliados.

Trump e eleição brasileira

Trump já se manifestou duas vezes sobre a eleição brasileira. Um dia após o pleito, sem apresentar provas, afirmou que o resultado "pareceu mais uma eleição fraudada". Apesar das críticas, afirmou gostar de Lula e manter boa relação com o presidente brasileiro. O governo do Brasil optou por não reagir à declaração para evitar polêmica desnecessária.

Apesar das perspectivas de recrudescimento, auxiliares de Lula acreditam que o episódio não impede a busca por uma relação pragmática com a administração Trump. Os EUA já abrigaram Eduardo Bolsonaro sem que isso interrompesse os canais de diálogo. Para aliados do presidente, o caso não representa, por si só, um rompimento diplomático.

E o tarifaço?

Fontes a par das negociações sobre o tarifaço imposto a produtos brasileiros avaliam que o eventual asilo a Flávio não altera as conversas técnicas.

Desde julho, os EUA aplicam sobretaxas de até 37,5% sobre determinados produtos brasileiros. Não há nova conversa ministerial desde o fim de setembro, e novas reuniões não estão previstas.