Combate ao garimpo: Ibama explode equipamentos ilegais e enfrenta criminosos na Amazônia

Em cuidado ambiental, operações removem mercúrio antes de destruir equipamentos avaliados em milhões de reais utilizados para atividades ilícitas.

Agentes armados do Ibama destruído equipamentos de garimpo ilegal em operações realizadas no Amazonas e em outros estados da região, segundo informações divulgadas pelo governo federal.

O superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, revelou que aproximadamente 4 mil dragas foram inutilizadas no estado desde 2023, citado pelo portal g1. Nacionalmente, o instituto destruiu 974 veículos e máquinas apenas em 2026, número que quase triplicou em relação aos 329 registrados em 2020.

Coordenação explosiva

A Operação Aurum, realizada em 30 de outubro próximo a São Paulo de Olivença, exemplifica essa atuação.

Equipes da Polícia Federal, Ibama e Funai destruíram oito dragas, sete motor-balsas e uma embarcação tipo rabeta. No mesmo dia, a segunda fase da Operação Nêmesis inutilizou dragas no Rio Madeira, a cerca de 27 km da Usina Hidrelétrica Jirau, em estruturas avaliadas em mais de R$ 4 milhões cada.

A destruição dos equipamentos está prevista em lei, que autoriza a medida quando o transporte e a guarda são inviáveis ou quando há riscos ao meio ambiente e aos agentes.

Justificando a poluição pontual da destruição comparativamente ao dano da operação continuada dos equipamentos, Araújo indica também que retirar milhares de equipamentos de regiões remotas seria logisticamente inviável e arriscado, pois as equipes podem sofrer emboscadas.

Antes da inutilização, os agentes retiram mercúrio e outras substâncias tóxicas para evitar contaminação dos rios. O mercúrio é utilizado na atividade para extração de ouro e é proibido no Brasil fora de atividades licenciadas, dada a acumulação nos peixes, atingindo populações ribeirinhas e indígenas que dependem dos rios.

Preservação, conservação, enfrentamento

Araujo chama atenção para a multiplicidade de atuação do Ibama, que vai além da fiscalização tradicional tradicionalmente associada ao órgão. O superintendente aponta que os agentes engajam em atividades operacionais e utilizam equipamentos de proteção, coletes à prova de bala, capacetes, armamentos letais e não letais, além de helicópteros e lanchas rápidas.

"Agora as pessoas estão descobrindo outro Ibama, que faz o enfrentamento direto a criminosos", disse Araujo.

A Operação Hidra Dourada, conduzida entre 21 e 25 de setembro no Rio Madeira, destruiu 22 dragas e cinco embarcações. A Operação Fornalha, realizada entre 24 e 25 de setembro nas Terras Indígenas Sete de Setembro, Zoró e Roosevelt, inutilizou duas escavadeiras, quatro dragas, cinco motores e dois acampamentos, causando prejuízo estimado em mais de R$ 2 milhões às atividades ilícitas.

Cerca de 74% dos itens destruídos em 2026 estavam relacionados a garimpo, mineração ou uso de mercúrio, e seis em cada dez localizadas em terras indígenas.

A Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, concentrou 192 equipamentos destruídos, onde foram encontrados 35 bunkers e 33 túneis para esconder máquinas.