
Excesso de treino mantém dopamina elevada no cérebro mesmo durante o repouso, sugere estudo

Um estudo publicado na revista Neuroscience identificou alterações na regulação da dopamina (substância ligada à motivação e ao prazer) no hipocampo (região do cérebro ligada à memória e à aprendizagem) de camundongos submetidos a protocolos de exercícios exaustivos.
Os pesquisadores compararam os efeitos de uma única sessão de esforço extremo com os de oito semanas de treinamento progressivamente intensificado, cujo protocolo chegou a incluir duas sessões diárias e apenas quatro horas de intervalo para recuperação.

Após uma única sessão de exercícios, os camundongos apresentaram um aumento da dopamina e uma redução da enzima que ajuda o cérebro a produzir dopamina.
Já após oito semanas de treino intenso, os níveis de dopamina e dessa enzima aumentaram durante o período de repouso.
A proporção de serotonina em relação à dopamina também diminuiu nesse período, ou seja, havia menos serotonina em comparação com a dopamina, embora os níveis de serotonina não tenham apresentado uma redução estatisticamente significativa.
Resultados ainda precisam ser investigados em humanos
Os resultados indicam que a exposição repetida a esforços físicos intensos pode provocar alterações duradouras na regulação da dopamina, possivelmente como resposta ao estresse causado pelo treinamento excessivo.
Os autores ressaltam, porém, que o experimento foi realizado em camundongos e não comprova que os mesmos mecanismos ocorram em seres humanos.
Além disso, o estudo não avaliou diretamente a qualidade do sono dos animais, de modo que uma possível relação entre as alterações químicas observadas e os distúrbios do sono ainda precisa ser investigada.
