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UE descarta reativar Nord Stream, mesmo que conflito ucraniano termine

Bruxelas afirma que uma lei a impede de voltar a comprar gás russo.
UE descarta reativar Nord Stream, mesmo que conflito ucraniano termineGettyimages.ru / Swedish Coast Guard

As porta-vozes da Comissão Europeia, Paula Pinho e Anna-Kaisa Itkonen, declararam que a União Europeia não prevê retomar as compras de gás russo após o fim do conflito na Ucrânia, nem mesmo por meio do gasoduto Nord Stream.

"Contamos com uma legislação em vigor que nos impede de retomar as importações de combustíveis fósseis, em particular de gás, provenientes da Rússia", declarou Paula Pinho em resposta à pergunta de um jornalista sobre as perspectivas de retomada das operações do Nord Stream.

Itkonen ressaltou que a interrupção do fornecimento está prevista para o final de 2027, "independentemente do que aconteça".

"Falta de visão"

A decisão da UE de suspender as importações de gás russo — incluindo o transportado pelo gasoduto Nord Stream, sabotado em 2022 — provocou uma profunda crise energética. A substituição desse recurso barato pela compra de gás natural liquefeito (GNL) a curto prazo deixou o bloco exposto à volatilidade do mercado global.

O Kremlin classificou essa postura como uma "falta de visão", afirmando que os líderes europeus "estão cortando o galho em que estão sentados". As reservas nos armazéns da UE caíram para um nível mínimo de 67% de sua capacidade.

A Alemanha representa a maior vulnerabilidade, uma vez que seus estoques caíram para um mínimo de 47%. Como detém 20% da capacidade total de armazenamento da UE, um déficit físico no país germânico fará disparar os preços para seus vizinhos e enfraquecerá a economia regional.

Um golpe vindo do Oriente Médio

A situação agravou-se drasticamente com a escalada militar no Oriente Médio e o conflito dos EUA e de Israel contra o Irã. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, revelou que essa instabilidade custou à UE mais de 106 bilhões de euros em despesas adicionais com energia.

Devido ao bloqueio no estratégico Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do GNL mundial —, o preço do gás na Europa atingiu 100 euros por megawatt-hora, pela primeira vez em anos. Os contratos futuros subiram mais de 150%, e o preço do diesel dobrou.

A crise ameaça o reabastecimento para os próximos anos, intensificando a pressão até 2027. Isso tem provocado o fechamento de indústrias, demissões e agitações sociais ligadas ao aumento do custo de vida em vários países do bloco.