
Comer ou não passar frio: a realidade de muitos na Europa neste inverno

O comissário europeu de Energia e Habitação, Dan Jorgensen, em uma entrevista ao veículo húngaro 444 publicada no último sábado (24), chamou a atenção para a situação vulnerável de uma parte significativa dos europeus, que tem dificuldade para pagar pelo aquecimento durante o inverno.

"Em um inverno comum, quase 50 milhões de europeus têm dificuldades para pagar suas contas de aquecimento. Se alguém não consegue arcar com isso, vê-se obrigado a escolher entre não comer ou passar frio", observou.
Dias antes, Jorgensen já havia previsto que se aproxima um inverno "muito difícil" para muitos cidadãos e empresas. Jorgensen admitiu a possibilidade de que, ao contrário da norma histórica, a próxima geração de europeus possa viver em condições piores do que as de seus pais.
Agora, a Europa enfrenta uma nova disparada nos preços. O gás natural ultrapassou os 97 euros por megawatt-hora pela primeira vez desde 2022. Os preços estão mais do que o dobro do que se registrava antes da guerra contra o Irã e do subsequente bloqueio do Estreito de Ormuz. A crise já custou à UE 106 bilhões de euros desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, afirmou, em 16 de outubro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Barato, mas proibido
Na entrevista, Jorgensen também respondeu ao húngaro Péter Magyar, que, em maio, afirmou que, após o fim do conflito ucraniano, toda a UE voltaria a comprar gás russo, por ser mais barato. O comissário comentou que a proibição das importações de energia russa, que entrará em vigor em 2027, será mantida mesmo em caso de paz.
Em janeiro, o Conselho da UE aprovou a eliminação progressiva do gás russo a partir de 2027. Com o rompimento de Bruxelas com os hidrocarbonetos russos e a explosão dos gasodutos Nord Stream, a participação do gás russo nas importações europeias caiu de 45% para 12%.
