Lula e Bolsonaro na Globo: confira os principais momentos do debate presidencial

Candidatos protagonizaram o último debate das eleições presidenciais de 2026.

Os candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), protagonizaram o último debate das eleições de 2026 na Globo. No encontro, os presidenciáveis discutiram temas fundamentais para o Brasil, como Saúde, Economia, Segurança e Educação, além de entrarem em embates em temas como corrupção, o caso Master e a morte da menina Ana Clara.

Infraestrutura

Presidenciáveis também trocaram críticas sobre infraestrutura e desenvolvimento econômico. O primeiro tema discutido foi o potencial econômico do Brasil e os desafios para ampliar as exportações.

Lula defendeu os investimentos realizados por seu governo e afirmou que o país nunca investiu tanto em infraestrutura. "Se o candidato conhecesse um pouco o Brasil, ele saberia que em nenhum momento da história do país se investiu tanto em obras de estrutura como investimos nos últimos anos", declarou.

O petista citou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com investimentos anunciados de R$ 1,7 trilhão, e mencionou projetos em ferrovias, hidrovias, estradas, portos e aeroportos. Também afirmou que seu governo herdou mais de 6 mil obras paralisadas e que realizou mais investimentos na área do que a gestão anterior.

"Meu adversário sabe que qualquer coisa que pensar em infraestrutura fizemos mais de três ou quatro vezes que o governo deles fizeram", disse Lula, que também prometeu dar continuidade às obras em andamento caso seja reeleito.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, citou um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), segundo o qual mais de 11,5 mil obras estão paralisadas no país. "O Brasil voltou a ser um cemitério de obras", afirmou o senador, ao criticar a situação da infraestrutura brasileira.

O candidato do PL defendeu a expansão da malha ferroviária e a ampliação da conectividade digital como estratégias para impulsionar a economia. "Vou rasgar esse Brasil de ferrovias", declarou.

Salário mínimo

Lula e Flávio trocaram críticas durante a resposta nas perguntas sobre a região sudeste discutindo sobre salário mínimo, o poder de compra dos brasileiros e o custo de vida.

Ao abordar a situação financeira dos brasileiros, Flávio questionou se a renda dos trabalhadores seria suficiente para cobrir as despesas mensais.

"Hoje é 23 de outubro, o mês não acabou, seu salário já acabou? Seu poder de compra foi destruído pela taxa de juros lá em cima. Por que endividou o povo brasileiro desse jeito?", questionou o candidato.

Lula, por sua vez, perguntou ao adversário quanto seria o salário mínimo em São Paulo e no Sudeste caso os governos do PT não tivessem adotado reajustes acima da inflação.

"Se não fossem os governos do PT, Lula e Dilma, se não estivéssemos reajustando o salário acima da inflação, o salário seria R$ 900. É isso que eles querem para o Brasil", afirmou o presidente, defendendo a continuidade dos aumentos reais.

Milei e "tesouraço"

A discussão sobre gastos públicos e salário mínimo seguiram na pergunta sobre a região Sul, que incluiu referências à política econômica da Argentina.

Lula destacou o alto número de aposentados e questionou Flávio se reajustaria o salário mínimo acima da inflação em um eventual governo. O atual presidente ainda fez menção às políticas de Javier Milei, marcadas pelo que considera um "tesouraço" nas finanças, e afirmou que a população do país vizinho está comendo "carne de burro".

Em resposta, Flávio afirmou que "com certeza" iria reajustar o salário mínimo e aposentadoria acima da inflação. Também negou planos de privatizar instituições como a Caixa e o Banco do Brasil.

Nordeste e crime organizado

Durante o debate da TV Globo, Flávio acusou Lula de permitir a expansão do Comando Vermelho no Nordeste. 

A declaração ocorreu no bloco dedicado à região, após Lula destacar investimentos de seus governos e questionar o adversário sobre suas propostas para os estados nordestinos.

"Lula, o Nordeste não é problema, o Nordeste é solução. Vou ser o carioca mais nordestino da face da Terra", afirmou Flávio, antes de fazer a acusação. "Lula, o que você levou para o Nordeste foi o Comando Vermelho", declarou.

O candidato do PL também responsabilizou administrações estaduais ligadas ao PT e a partidos aliados pela atuação da facção criminosa. "Por que você deixou o Comando Vermelho se proliferar pelo Nordeste?", questionou.

Lula, por sua vez, havia iniciado sua participação ressaltando suas origens nordestinas e afirmando que a região avançou em indicadores sociais e educacionais durante seus governos.

O presidente citou a Transnordestina, a transposição do Rio São Francisco e a ampliação do acesso às universidades como exemplos dos investimentos realizados. Também mencionou a instalação de supercomputadores em Natal e na Paraíba.

Flávio chama Lula de "nove dedos" e presidente responde: "miliciano"

Lula chamou Flávio Bolsonaro de "miliciano" e exigiu um pedido de desculpas após ser chamado de "nove dedos" pelo adversário.

"Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Não vou permitir", afirmou Lula, ao reagir à provocação do candidato do PL.

O presidente relembrou o acidente de trabalho em que perdeu um dedo aos 17 anos e destacou sua experiência como trabalhador. "Se tem alguém aqui nesse público que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu", declarou.

Lula também acusou Flávio de não conhecer a realidade dos trabalhadores e questionou sua trajetória profissional. Segundo o petista, o adversário teria conseguido seu primeiro emprego por influência do pai, Jair Bolsonaro.

O presidente voltou a exigir uma retratação e relacionou o episódio às condições enfrentadas por brasileiros que sofrem acidentes de trabalho. "Você vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo", afirmou.

Na tréplica, Flávio Bolsonaro pediu desculpas pela referência à condição física de Lula, mas aproveitou a resposta para apresentar críticas à atuação do governo federal.

"Lula, se eu te ofendi porque eu te chamei de nove dedos, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender", declarou o candidato. Em seguida, voltou a criticar o atual presidente e cobrou "desculpas" à população em situação de rua, mulheres e endividados.

Milícias e narcotráfico

Os candidatos trocaram acusações sobre milícias, narcotráfico e combate ao crime organizado. Lula questionou a atuação do adversário na defesa de um policial acusado de matar uma criança, enquanto Flávio criticou a política de segurança do governo federal e apresentou propostas para endurecer as penas.

A discussão ocorreu no bloco dedicado à retomada de territórios. Flávio iniciou o confronto questionando a posição de Lula sobre as saídas temporárias de presos, a redução da maioridade penal e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas.

"Por que você não coloca o interesse das vítimas na frente do interesse dos bandidos?", perguntou o candidato, após mencionar o assassinato de um sargento em Minas Gerais que atribuiu a um preso que não teria retornado à cadeia após uma saída temporária.

Lula respondeu mencionando o caso de uma menina de cinco anos morta por um disparo de fuzil. O presidente acusou Flávio de atuar para impedir o julgamento do policial apontado como responsável pela morte.

Flávio manifestou solidariedade à família da criança e contestou a responsabilização do policial. Segundo o candidato, a morte ocorreu durante uma troca de tiros em uma comunidade marcada pela presença do tráfico de drogas.

"Eu quero ajudar a senhora, inclusive, a saber quem foi o autor desse disparo. Porque eu tenho a confiança que não foi esse policial", declarou, ressaltando que o agente não havia sido julgado.

O candidato voltou a criticar o governo Lula e prometeu classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas.

Vorcaro e Banco Master

Lula e Flávio trocaram  trocaram acusações sobre dinheiro recebido de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Flávio acusou Lula de ganhar uma garrafa de uísque avaliada em R$ 500 mil e mencionou supostos repasses milionários, enquanto o petista atribuiu ao adversário uma relação de proximidade com o banqueiro.

Ao questionar o presidente sobre o presente, Flávio calculou que cada dose da bebida custaria R$ 50 mil, caso a garrafa fosse dividida em dez copos. O candidato comparou o valor ao benefício recebido por famílias atendidas pelo Bolsa Família.

"Isso dá pra pagar 70 Bolsas Família. 70 Bolsas Família", afirmou Flávio, antes de acrescentar: "Tudo que vocês receberam num mês, ele tomou em um copo".

Lula, por sua vez, acusou Flávio de manter relações com Vorcaro e afirmou que o banqueiro teria envolvido autoridades brasileiras em um esquema de corrupção.

"Esse cara corrompeu a república e ele é um deles", declarou o presidente, referindo-se ao adversário.

Sigilos

Lula voltou a desafiar Flávio sobre a abertura de sigilos telefônicos e bancários relacionados ao senador.

O presidente também questionou como Flávio teria adquirido o imóvel, comparando o valor da propriedade ao salário de R$ 46 mil . "E você consegue comprar uma casa de 10 milhões de reais. Me conta", afirmou.

Flávio respondeu que trabalha como advogado e empresário, além de exercer mandatos parlamentares há 24 anos. O candidato afirmou que declara seus bens no imposto de renda e negou esconder patrimônio.

Lula disse que seus representantes haviam comparecido à Justiça Eleitoral para entregar documentos relacionados ao seu patrimônio e ao de familiares.

Segundo o candidato à reeleição, o material incluía informações de sua mulher e de seu filho Fábio. Lula também acusou representantes de Flávio de não apresentarem a documentação solicitada.

"Agora eu quero que você coloque o seu lá, o seu documento, do seu sócio, dos seus amigos", cobrou o petista.

Flávio contestou a declaração e afirmou que sua documentação já havia sido apresentada. O candidato passou a acusar Lula de ocultar bens por meio de terceiros.

"A sua vida é um laranjal", afirmou o senador, ao questionar a declaração patrimonial do presidente.