O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações sobre milícias, narcotráfico e combate ao crime organizado durante o debate presidencial da TV Globo. Lula questionou a atuação do adversário na defesa de um policial acusado de matar uma criança, enquanto Flávio criticou a política de segurança do governo federal e apresentou propostas para endurecer as penas.
A discussão ocorreu no bloco dedicado à retomada de territórios. Flávio iniciou o confronto questionando a posição de Lula sobre as saídas temporárias de presos, a redução da maioridade penal e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas.
"Por que você não coloca o interesse das vítimas na frente do interesse dos bandidos?", perguntou o candidato, após mencionar o assassinato de um sargento em Minas Gerais que atribuiu a um preso que não teria retornado à cadeia após uma saída temporária.
Lula respondeu mencionando o caso de uma menina de cinco anos morta por um disparo de fuzil. O presidente acusou Flávio de atuar para impedir o julgamento do policial apontado como responsável pela morte.
"O que leva um senador a defender um policial que deu um tiro de fuzil numa menina de 5 anos? Explica, que segurança é essa?", questionou Lula.
O petista também criticou a atuação das forças de segurança em comunidades. "Que território é esse? O território da bala? O território do policial poder matar uma menina de 5 anos?", acrescentou.
Combate às facções
Flávio manifestou solidariedade à família da criança e contestou a responsabilização do policial. Segundo o candidato, a morte ocorreu durante uma troca de tiros em uma comunidade marcada pela presença do tráfico de drogas.
"Eu quero ajudar a senhora, inclusive, a saber quem foi o autor desse disparo. Porque eu tenho a confiança que não foi esse policial", declarou, ressaltando que o agente não havia sido julgado.
O candidato voltou a criticar o governo Lula e prometeu classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas.
Flávio afirmou que a medida permitiria ampliar o tempo de prisão de integrantes dessas organizações. Segundo ele, chefes de facções poderiam receber penas de até 80 anos e cumprir quase integralmente as condenações.
Maioridade penal
O candidato também propôs estabelecer pena mínima de oito anos de prisão para roubo de celular, além de exigir que os condenados trabalhem durante o cumprimento da pena.
Na mesma resposta, Flávio defendeu a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de estupro e a aplicação de castração química a autores de crimes sexuais.
"Estuprador com 14 anos de idade tem que responder como adulto", afirmou o candidato, ao defender punições mais severas.
Críticas a Flávio
Na tréplica, Lula voltou a questionar a relação do adversário com integrantes de milícias no Rio de Janeiro. O presidente acusou Flávio de ter defendido milicianos e criticou suas propostas para a segurança pública.
O petista também afirmou que o candidato pretendia transferir aos Estados Unidos parte do enfrentamento ao narcotráfico. "Ele quer entregar para o Trump e eu quero cuidar do território aqui", declarou.
Lula defendeu a aprovação de uma proposta de emenda constitucional sobre segurança pública e afirmou que pretende criar um ministério voltado à área, além de fortalecer a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.
"Para o trabalhador, proteção. Para o bandido, cadeia", afirmou o presidente, ao defender sua proposta de combate à criminalidade.