Lavrov coloca jornalista da BBC em seu devido lugar

O diálogo aconteceu do âmbito da 23ª sessão anual do Clube de Discussão Internacional Valdai. que começou na segunda-feira (28) e prosseguirá até quinta, 1º de outubro.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, colocou um jornalista da BBC, Steve Rosenberg, em seu devido lugar nesta terça-feira (29).

O repórter quis acusar Moscou de travar "uma guerra híbrida e velada" contra a Europa.

"Você se refere a quando destruímos drones e mísseis que o Reino Unido e a Europa continental fornecem à Ucrânia e que, depois, são disparados contra nós? É a isso que você se refere com [guerra] híbrida?", questionou.

O diálogo aconteceu à margem do Clube de Discussão Internacional Valdai.

Após a concordância do jornalista, o diplomata afirmou: "Se vocês admitem que nos atacam com suas armas e nós as derrubamos, chame isso como quiser; mas não tenho dúvidas de que se trata de uma guerra que a Europa trava contra nós, e é isso que dizemos há muito tempo".

O embate tenso continuou quando o repórter da emissora britânica questionou sobre o que Lavrov classificou recentemente como o uso da "força bruta" por parte do Ocidente.

Em resposta, o chefe da diplomacia russa justificou sua posição enumerando diversoe conflitos e crises internacionais provocadas pelos países ocidentais e questionando diretamente seu interlocutor se tais ações constituíam soft power (poder brando) ou força bruta.

"Será que o que fizeram na Venezuela foi soft power ou força bruta? O que fizeram com os gasodutos Nord Stream: é soft power ou força bruta? Bombardear e eliminar líderes iranianos juntamente com suas famílias, incluindo crianças — isso não é força bruta?", respondeu.

Diante da tentativa do jornalista britânico de acusar a Rússia de supostamente "empregar força bruta diariamente na Ucrânia", o chanceler não recuou:

"Se você se refere à destruição da infraestrutura utilizada pelo regime nazista, com o apoio do Ocidente, para travar uma guerra contra a Federação Russa, então recorremos à força bruta para reprimir essa ameaça direta contra nós", concluiu o chanceler russo.