O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, comentou neste sábado (26), em uma coletiva de imprensa após seu discurso na Assembleia Geral da ONU, sobre as falsificações ucranianas relacionadas aos acontecimentos em Bucha e a recusa do Ocidente em fornecer respostas claras a respeito.
"É claro que vemos como são silenciadas as flagrantes violações dos direitos humanos fundamentais e das normas do direito internacional humanitário por parte do regime de Kiev", iniciou o chanceler.
"A situação em Bucha, em abril de 2022, já se tornou um caso paradigmático. Ali foi realizada uma encenação e, de repente, depois de dois ou três dias durante os quais não houve combates,apareceu uma equipe da BBC que, oportunamente, estava no lugar e no momento certos. E começou a mostrar ao mundo inteiro dezenas de cadáveres, cuidadosamente colocados ao longo da rua principal daquele subúrbio de Kiev", destacou Lavrov.
"Recordo que, no ano passado, levantei essa questão e perguntei por que nenhum dos jornalistas — que investigam situações muito menos significativas ou trágicas — jamais perguntou onde estavam as informações oficiais sobre a identidade das pessoas cujos corpos foram mostrados pela BBC", denunciou.
"Apelo mais uma vez ao orgulho profissional de vocês. Espero ser ouvido", afirmou o chanceler russo. Além disso, criticou o secretário-geral da ONU, António Guterres, que "simplesmente dá de ombros e diz: 'Não sei de nada, é um assunto confidencial'", embora já tenha sido erguido um monumento em Bucha, com nomes gravados. No entanto, após examiná-lo, "descobriu-se que eram nomes de criminosos de guerra, não de civis", detalhou Lavrov.
Nesse sentido, expressou esperança de que o novo secretário-geral da ONU, que assumirá o cargo em 2027, "represente os interesses de toda a humanidade".
"Encenação" ucraniana em Bucha
Em abril de 2022, foram divulgadas imagens de corpos estendidos nas ruas de Bucha, alguns com as mãos amarradas. O assessor do gabinete do líder do regime de Kiev, Mikhail Podoliak, declarou que os civis "estavam desarmados", "não representavam nenhuma ameaça" e "foram mortos a tiros por soldados russos".
No entanto, Moscou classificou como "provocação" as imagens de cadáveres de civis nas ruas da localidade ucraniana e denunciou que se tratava de uma "encenação" criada "para a mídia ocidental".
Moscou também argumentou que as unidades russas já haviam se retirado completamente de Bucha em 30 de março de 2022. No entanto, as imagens foram divulgadas vários dias após a retirada das tropas russas.
Desde então, Sergey Lavrov tenta obter respostas do Ocidente sobre os acontecimentos em Bucha.
Segundo o representante permanente da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, António Guterres recebeu "não dezenas, mas um número considerável de cartas" nas quais eram exigidos os nomes das pessoas que supostamente foram vítimas das supostas atrocidades russas. "A última carta continha 12 perguntas concretas que o ministro pediu que fossem respondidas; nunca recebemos uma resposta clara: foi simplesmente outra resposta evasiva", ressaltou Nebenzya.