O Ministério da Defesa de Taiwan quer quadruplicar seus estoques de munição, passando de um nível de autonomia de 30 dias para 120 dias, por meio de um programa de seis anos avaliado em quase US$ 868 milhões, segundo o projeto de orçamento para o próximo ano, citado nesta terça-feira (29) pelo Taipei Times.
A iniciativa visa reforçar a capacidade da ilha de sustentar operações militares em caso de um hipotético bloqueio por parte da China.
O Ministério destinou cerca de US$ 229 milhões para repor estoques durante o próximo ano, e prevê-se uma alocação semelhante no exercício seguinte.
O tenente-general Huang Wen-chi, diretor do Departamento de Planejamento Estratégico, afirmou que o programa deve ser acelerado para repor a munição consumida em manobras e treinamentos, que têm se tornado cada vez mais frequentes.
Antes que as linhas de produção locais atinjam sua capacidade máxima, as Forças Armadas taiwanesas darão prioridade à compra específica de projéteis de 120 e 105 milímetros para tanques, munição de canhão de 30 milímetros, cargas propulsoras para obuseiros de 155 milímetros e explosivos de alta energia.
Prioridade é a compra de armas dos EUA
Essas aquisições e a expansão das fábricas de armas já faziam parte de uma lei especial de defesa, avaliada inicialmente em quase US$ 39 bilhões. No entanto, o Legislativo taiwanês reduziu esse valor para US$ 25 bilhões e optou por priorizar a compra de armamentos fabricados nos EUA, deixando de fora a munição de uso geral e a ampliação da capacidade industrial local.
- A China, assim como a imensa maioria das nações, considera Taiwan — que se autogoverna desde 1949 — parte inalienável de seu território.
- A situação no Estreito de Taiwan se agrava devido aos exercícios militares regulares das forças da ilha com o uso de armamentos dos EUA e aos simulacros realizados com outros membros da OTAN e aliados na região; no entanto, Pequim insiste que a via militar seria um último recurso para resolver a disputa e, embora a China se reserve esse direito como qualquer Estado soberano, deseja evitá-lo.