
Taiwan usa novos tanques fornecidos pelos EUA em exercícios militares em meio a tensões com Pequim

O exército de Taiwan usou tanques M1A2T Abrams recém-adquiridos em um exercício de prontidão para combate, informou o Taipei Times, citando um repórter no local.
Os exercícios, denominados "prontidão imediata para combate", começaram na última segunda-feira (22) e têm como objetivo acelerar a transição das forças armadas de cenários de paz para cenários de guerra, segundo o Ministério da Defesa Nacional.
Na quinta-feira (25), tropas realizaram um exercício de bloqueio rápido em uma estrada próxima ao Aeroporto Internacional de Taoyuan.
Em apenas algumas horas, ergueram uma barreira defensiva de três camadas usando materiais como blocos de concreto e obstáculos metálicos para deter um possível avanço inimigo, detalhou o repórter.

Os exercícios ocorreram principalmente na área de Qingpu e nos distritos de Zhongli e Dayuan, em Taoyuan, no noroeste da ilha.
Militares e veículos foram mobilizados para a região, incluindo novos tanques, veículos blindados e lançadores de mísseis, que foram vistos patrulhando perto do estádio de beisebol da cidade.
Alguns dos tanques M1A2T estavam cobertos com redes de camuflagem para evitar a detecção por via aérea e terrestre, segundo o jornalista.
Exercício de Prontidão para Guerra
As manobras de cinco dias, que terminam na sexta-feira (26), fazem parte de um plano de modernização que inclui, entre outras coisas, um cenário em que a China — que considera a ilha parte de seu território e realiza exercícios regularmente na área — transforma um exercício de rotina em um ataque real. Nesse contexto de tensões, Taiwan recebeu em abril o lote final de 108 tanques M1A2T, adquiridos dos Estados Unidos em 2019 por aproximadamente US$ 1,29 bilhão.
Enquanto isso, o Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Leste Asiático e do Pacífico, Michael G. DeSombre, afirmou que Washington está reforçando sua presença na região e coordenando ações com aliados para garantir a liberdade de navegação e conter a China. Ele explicou que Washington realiza operações frequentes na área de Taiwan ao lado de países parceiros e aliados, além de manter recursos militares mobilizados na região.
Tensões no Estreito de Taiwan
- As forças militares da China realizam periodicamente exercícios ao redor de Taiwan, uma ilha que Pequim considera parte de seu território, mas que possui administração própria desde 1949. Taiwan, por sua vez, responde com seus próprios exercícios.
- As manobras da China são uma resposta às atividades das forças separatistas na ilha e à crescente interferência externa que, na perspectiva de Pequim, mina a estabilidade regional, particularmente o aumento da ajuda militar dos Estados Unidos, que considera uma violação do princípio de "uma só China".
- Embora Washington reconheça oficialmente esse princípio, mantém contatos com o governo de Taipei e é seu principal fornecedor de armamentos, incluindo lançadores de foguetes de artilharia de alta mobilidade HIMARS, mísseis antitanque Javelin, obuses, drones suicidas e outros equipamentos de combate.
- No início de junho, Pequim organizou uma operação especial de controle do tráfego marítimo a leste de Taiwan em resposta ao anúncio unilateral do Japão e das Filipinas sobre negociações de delimitação naquela área. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, afirmou que a China não permitiria que os dois países iniciassem tais negociações sob nenhuma circunstância sem a sua participação e classificou a iniciativa como uma violação do direito internacional e dos direitos marítimos da China.
