
Como 'porta-aviões assassinos' da China poderiam superar EUA em guerra?

A China divulgou as primeiras imagens do lançamento do míssil balístico antinavio hipersônico YJ-20 a partir de um destróier Tipo 052D, moderno navio de guerra com mísseis guiados, considerado o primeiro destróier multifuncional do gigante asiático.
Estima-se que o YJ-20 voe a Mach 5+, ou seja, mais de cinco vezes a velocidade do som. Projetado para ameaçar grandes navios de combate de superfície, como porta-aviões americanos, ele pode atingir embarcações em um ângulo quase vertical e tem alcance entre 1.000 e 1.500 quilômetros.
The first footage of Chinese YJ-20 hypersonic anti-ship ballistic missile being launched from a Type 052D destroyer.
— Clash Report (@clashreport) July 29, 2026
The YJ-20 is estimated to fly at Mach 6+ with terminal speeds up to Mach 10 and a range of 1,000–1,500 km, designed to threaten large surface combatants like US… pic.twitter.com/NW7mbKd4Ow
Essas demonstrações ilustram o foco estratégico de Pequim em estabelecer uma zona de segurança sólida contra potenciais agressores em suas águas e na chamada primeira cadeia de ilhas do Leste Asiático, que inclui Taiwan, afirma o South China Morning Post.
Taiwan é autogovernada desde 1949; no entanto, a maioria dos países, incluindo a Rússia, reconhece a ilha como parte integrante da República Popular da China.
Apesar desse reconhecimento, os EUA vendem armas à ilha e, junto com outros países da OTAN, realizam exercícios militares regulares na região — o que Pequim denuncia como interferência em seus assuntos internos.

Múltiplos vetores de ataque
Segundo James Holmes, professor da Escola de Guerra Naval dos Estados Unidos, o gigante asiático está desenvolvendo seus mísseis antinavio para manter a Frota do Pacífico dos EUA à distância, de modo a dar tempo às forças armadas chinesas em caso de uma contingência em suas águas.
"Se o Exército de Libertação Popular da China conseguir impedir que as forças conjuntas baseadas nos EUA se juntem à Sétima Frota e a outras forças destacadas no Pacífico Ocidental, poderá inclinar a balança militar a seu favor", disse ele.
Já Liselotte Odgaard, pesquisadora do Instituto Hudson, em Washington, argumenta que a China parece estar desenvolvendo uma estratégia em camadas de bloqueio de acesso e negação territorial para dificultar as operações navais de Washington e de seus aliados em todo o Pacífico Ocidental.
"Equipar tanto navios de superfície quanto submarinos com mísseis antinavio cria múltiplos vetores de ataque, aumenta a redundância e torna as capacidades de ataque marítimo da China mais propensas a sobreviver em tempos de guerra", explicou.
Segundo ela, essa abordagem também permite que a Marinha chinesa engaje forças inimigas a distâncias variáveis e em diferentes ambientes operacionais.
"Essa abordagem reflete uma ênfase chinesa mais ampla em impedir o uso do mar pelo adversário, na letalidade distribuída e em impedir que os adversários operem livremente dentro da primeira cadeia de ilhas", acrescentou.
"Porta-aviões assassinos"
Collin Koh, pesquisador do Instituto de Estudos de Defesa e Estratégia da Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, em Singapura, observa que a China fez "avanços enormes" no desenvolvimento de várias plataformas de mísseis antinavio.
O especialista descreveu o desenvolvimento de variantes hipersônicas desses sistemas como "o mais impactante" de todos.
"Eles estão tentando alcançar o que chamamos de 'superioridade esmagadora' para o futuro. Não se trata apenas de igualar os EUA simetricamente, mas também de obter alguma vantagem assimétrica sobre o adversário", afirmou.
Os mísseis antinavio hipersônicos chineses são frequentemente apelidados de "porta-aviões assassinos" porque a combinação de velocidade extrema e manobras em pleno voo, capazes de evadir as defesas navais tradicionais, gera força cinética e explosiva suficiente para afundar ou incapacitar porta-aviões.
Nesse contexto, a capacidade de lançamento do míssil antinavio hipersônico chinês YJ-19, transportado pelo submarino Tipo 039B da classe Yuan, aumenta a ameaça aos navios de guerra dos EUA. Ao combinar furtividade com velocidade hipersônica, a arma reduz o tempo de reação defensiva a meros segundos.
"A China possui uma ampla variedade de sistemas que podem ameaçar navios de superfície dos EUA em uma vasta área. Submarinos certamente são uma dessas capacidades", alerta Bradley Martin, ex-capitão da Marinha dos Estados Unidos.
Até o momento, Washington não implantou mísseis antinavio hipersônicos em seus submarinos.

