Notícias

Saiba por que a medida de Trump sobre o diesel poderia ser um duro golpe para o Brasil e outros países da região

Um dos maiores receios é de que haja um aumento exponencial dos preços, que já estão em níveis historicamente altos.
Saiba por que a medida de Trump sobre o diesel poderia ser um duro golpe para o Brasil e outros países da regiãoRovena Rosa/Agência Brasil

Se os EUA proibirem temporariamente suas exportações de diesel, como proposto pelo presidente Donald Trump, os prejuízos serão sentidos no Brasil, bem como em outros países da América Latina, especialmente México e Chile, que estão entre os maiores compradores mundiais desse combustível.

A escassez desse tipo de combustível — usado principalmente em transportes pesados, máquinas agrícolas e geração de eletricidade — pode gerar uma guerra entre as nações com capacidade de produção significativa, levando a um aumento nos preços, que já estão em níveis historicamente altos,segundo informou a Bloomberg.

Washington argumenta que a medida, que teria duração de 90 dias, visa atender à demanda interna e tentar conter a alta dos preços resultante do ataque dos EUA e de Israel ao Irã e da subsequente restrição à passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.

"Eu disse para não enviarem diesel para o exterior. Produzimos muito diesel. Eu pedi isso. Eu pedi à minha equipe", declarou Trump.

Consequências para o Brasil

O anúncio feito por Trump causou alarme no Brasil, que, em setembro, importou 80% do combustível dos EUA, segundo dados da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis publicados pela Brasil Agro.

No país, aproximadamente 30% do total do diesel consumido é importado. A estatal Petrobras informou que já havia garantido a importação dos 650 milhões de litros de combustível necessários para atender à demanda do próximo mês, segundo o G1.

Em outubro, o Brasil costuma aumentar sua demanda por combustível devido à safra de verão, que coincide com o transporte do milho recém-colhido.

O banco Bradesco estima que a possível restrição poderia causar mais problemas para os distribuidores de hidrocarbonetos do que para a Petrobras "em termos de volume", já que, se houvesse escassez, o produto seria mais difícil de encontrar no mercado, segundo o InfoMoney.

México, um golpe nas correntes 

Segundo a Bloomberg, o México ocupa o segundo lugar na lista dos países mais afetados, já que as remessas de diesel dos EUA atingiram 288 mil barris por dia em junho de 2026, um número que representa um aumento de 10% em relação a 2025,informa o El País.

Diante dessa situação, Ricardo Quiroz, presidente da Associação Mexicana de Fornecedores de Postos de Combustíveis (AMPES), alertou que a situação afetará todos os setores, uma vez que o diesel impacta cadeias produtivas" como agronegócio, construção civil, mineração, entre outras".

Considerando a volatilidade global dos preços, o governo mexicano concordou com representantes de postos de gasolina e marcas de combustíveis em manter, desde fevereiro, a Estratégia Nacional para estabilizar o preço da gasolina comum, que fixou o preço do litro do combustível abaixo de 24 pesos (1,36 dólares) e o do diesel em 27 pesos (1,53 dólares). 

A decisão visa "garantir a certeza e a estabilidade dos preços dos combustíveis, insumos essenciais para a mobilidade, o desenvolvimento e a economia das famílias mexicanas", segundo o governo.

Chile, impacto no bolso

No Chile, o anúncio também é recebido com alerta, já que a possível restrição à venda de combustíveis pode afetar diretamente o bolso dos cidadãos, destaca a BioBio, visto que o país sul-americano importa quase 40% do diesel que consome.

O Monitor de Comércio Exterior do Banco Central detalha que a segunda maior importação do país é o diesel, que totalizou aproximadamente US$ 4,19 bilhões em agosto. Entre janeiro e agosto, o Chile comprou cerca de US$ 3,9 bilhões desse combustível dos Estados Unidos. 

Ignacio Mieres, chefe de análise da plataforma de investimentos XTB, acredita que "uma menor oferta dos EUA forçaria a competição por cargas alternativas a preços mais altos e, em um cenário de escalada, poderia gerar problemas de disponibilidade física".

Na opinião do especialista, esse impacto se estenderá à economia, "já que o diesel representa 90% dos combustíveis para a mineração em larga escala e 35% no setor agrícola, além de explicar cerca de 15% dos custos operacionais de uma mina média".