
Petrobras mira Índia para garantir diesel se Trump bloquear exportações dos EUA

A Petrobras já comprou a carga de diesel importado para outubro e negocia com refinadores da Índia como alternativa aos Estados Unidos caso Washington suspenda as exportações do combustível. A afirmação foi feita nesta quinta-feira (24) pela presidente da estatal, Magda Chambriard.

A executiva disse que não aposta na suspensão defendida pelo presidente americano, Donald Trump, e afirmou que a Casa Branca teria recuado da ideia.
"Até agora não está faltando nada, e nossas projeções não são de falta", declarou Chambriard durante o evento ROG.e, no Rio de Janeiro.
A possibilidade de restrição ocorre às vésperas de outubro, mês de pico das vendas de diesel no Brasil. Os EUA responderam por 68% das importações brasileiras em julho e agosto, segundo o Comex Stat.
Alternativa indiana
Questionada sobre uma eventual substituição do diesel americano, Chambriard afirmou que a Petrobras já mantém conversas com refinadores da Índia.
"A gente compra diesel, por exemplo, da Índia. A gente teve uma conversa interessante com os refinadores da Índia, inclusive com o maior refinador, que é a Reliance", disse.
Índia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Omã responderam juntos por 16% das importações brasileiras de diesel em 2026. Apenas a Índia voltou a embarcar volumes em agosto após meses de interrupção por causa da guerra no Oriente Médio.
Para novembro, a Petrobras prevê importações, mas Chambriard afirmou que a necessidade pode não se confirmar com o fim da safra.
"Ainda tem um resto de safra, mas talvez não haja necessidade", afirmou.
A presidente da estatal disse ainda que os conflitos internacionais aumentaram a preocupação com o abastecimento e reforçaram a busca por autossuficiência no refino.
"A guerra exacerbou, vamos dizer assim, a preocupação com o abastecimento do país e, portanto, exacerbou o nosso ímpeto para entregar 100% do nosso potencial", explicou.
Em agosto, a Petrobras respondeu por 86% do diesel entregue às distribuidoras. Entre os importadores privados, 80% do diesel importado para outubro virá dos EUA, segundo a Abicom, que alertou para dificuldades operacionais em caso de proibição.

