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Bernie Sanders e 30 deputados pressionam Trump sobre interferência na eleição do Brasil — Imprensa

Carta enviada a Marco Rubio pede que EUA respeitem o processo eleitoral e reconheçam o resultado certificado das urnas.
Bernie Sanders e 30 deputados pressionam Trump sobre interferência na eleição do Brasil — ImprensaGettyimages.ru / Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc/ Chip Somodevilla

O senador independente Bernie Sanders e 30 deputados democratas dos Estados Unidos cobraram do governo de Donald Trump explicações sobre ações em relação ao Brasil que, segundo os parlamentares, levantam preocupações sobre uma possível interferência na eleição presidencial brasileira de outubro. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (24).

Em carta enviada ao secretário de Estado, Marco Rubio, os congressistas afirmam estar preocupados com o que descrevem como uma atuação coordenada da administração Trump para pressionar autoridades brasileiras e influenciar o ambiente político do país antes da votação.

"As ações mais recentes da administração apontam para uma aparente tentativa de interferir e potencialmente minar as eleições gerais do Brasil em outubro", diz um trecho do documento obtido pela Folha.

A carta pede que o governo americano se comprometa explicitamente a respeitar o processo eleitoral brasileiro e a reconhecer o resultado certificado das urnas, independentemente do candidato escolhido pelos eleitores.

Ações citadas

Os parlamentares mencionam episódios ocorridos desde o início do segundo mandato de Trump, entre eles sanções contra autoridades brasileiras, medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos e a relação do governo americano com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O documento também cita o encontro entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, na Casa Branca. Segundo a carta, Flávio pediu durante a reunião que os Estados Unidos classificassem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.

Dois dias depois, o Departamento de Estado anunciou a inclusão das duas facções na lista americana. Os congressistas afirmam que a sequência aumentou preocupações no Brasil sobre possíveis consequências da designação.

A carta diz que autoridades brasileiras temem que a classificação possa servir de fundamento para medidas extraterritoriais, como sanções ou outras punições financeiras, e menciona receios relacionados ao uso da força pelos Estados Unidos na região.

Congresso americano

A iniciativa da carta partiu da deputada Delia Ramirez e tem entre os signatários nomes como Pramila Jayapal, Chuy Garcia e Alexandria Ocasio-Cortez.

Jayapal e Jonathan Jackson integram a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, enquanto Greg Casar e Maxwell Frost fazem parte da Comissão de Supervisão, responsável por fiscalizar a atuação do Executivo.

Caso os democratas conquistem a maioria da Câmara nas eleições legislativas de novembro, integrantes dessas comissões poderiam ampliar a fiscalização da política do governo Trump para o Brasil por meio de audiências e investigações. Uma nova maioria também passaria a controlar as comissões da Casa e poderia buscar impor condições ao uso de recursos destinados a programas de política externa no processo orçamentário.

Jayapal já havia declarado, em entrevista à Folha em agosto, enxergar uma tentativa de Trump de interferir na eleição brasileira e afirmado que os democratas agiriam.

Sanders, que também assina a carta, encontrou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana, às margens da Assembleia Geral da ONU. Segundo auxiliares, o senador perguntou sobre a possibilidade de interferência nas eleições, e Lula teria respondido que o governo está vigilante, mas não acredita que ela ocorrerá.

Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) sobre "ameaças ao processo eleitoral de 2026", revelado pela Folha, elevou a possibilidade de influência e interferência externa dos Estados Unidos nas eleições brasileiras a um "nível de criticidade".

Na quarta-feira (23), a campanha de Lula acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por possível interferência dos Estados Unidos nas eleições.