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Negócios em risco: especialistas apontam impactos da ofensiva dos EUA contra PCC e CV na economia

A medida, rejeitada pelo governo brasileiro, apresenta risco elevado, já que os grupos em questão têm ampla penetração na economia, de acordo com a agência Reuters.
Negócios em risco: especialistas apontam impactos da ofensiva dos EUA contra PCC e CV na economiaImagem gerada por inteligência artificial

A designação das maiores facções criminosas do Brasil — o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) — como Organizações Terroristas Estrangeiras pelos EUA, medida que entra em vigor nesta sexta-feira (5), traz riscos significativos para a economia brasileira.

Pix em risco?

O primeiro dos potenciais impactados é o Pix. "Se alguém do governo dos Estados Unidos apontar, com base em alguma informação que não é compartilhada com o governo brasileiro, que o PIX está sendo utilizado para o crime organizado, nós vamos ficar sujeitos a esse tipo de ataque", explicou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, na segunda-feira (1). Em sua avaliação, Washington pode impor restrições não apenas à plataforma, mas também às empresas que a utilizam.

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"E veja, o PIX é o maior símbolo de soberania financeira do Brasil. Nós não podemos ficar presos e com risco de uma intervenção ou de uma subserviência que tira a gente do caminho da inovação e de gerar infraestrutura de pagamento boa para as nossas empresas e nossas famílias", acrescentou.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Luiz Miguel Santacreu, analista de instituições financeiras da Austin Rating, afirmou que, após a designação como organizações terroristas, a legislação dos EUA permite ao governo impor sanções, monitorar operações suspeitas e bloquear recursos supostamente vinculados aos grupos.

"O Pix entra nesse contexto por ser um meio de pagamento amplamente disseminado no Brasil. Não só a população como um todo utiliza o sistema, mas eventualmente o crime organizado também pode utilizá-lo", observa o analista.

Também é importante lembrar que o Pix já está na mira do governo do presidente Donald Trump desde 2025. Em uma investigação comercial aberta por Washington, o sistema de pagamentos brasileiro é acusado de criar condições desiguais de concorrência e prejudicar empresas norte-americanas do setor de cartões, como Visa e Mastercard.

Desconfiança de investidores estrangeiros

A medida também pode contribuir para afastar investidores estrangeiros do Brasil. Para Welber Barral, sócio do Barral Parente Pinheiro Advogados e doutor em Direito Internacional pela USP, também ouvido pela Folha de S. Paulo, bancos, seguradoras, fundos de investimento, empresas de logística e multinacionais podem rever relações comerciais por receio de serem acusados de prestar "suporte material" ao PCC e ao CV, conduta que passa a ser criminalizada nos EUA sob a Seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade.

"Suporte material é interpretado de forma amplíssima. Inclui financiamento, logística, treinamento, serviços, consultoria, transporte e qualquer apoio econômico direto ou indireto", observou. Nesse cenário, investidores internacionais podem ser acusados de financiar, mesmo que indiretamente, uma operação que acabou conectada a uma organização designada como terrorista.

Veículos internacionais, como a agência Reuters, também destacam a ampla penetração do PCC e do Comando Vermelho (CV) em diferentes setores da economia brasileira, o que pode ampliar a desconfiança do capital estrangeiro. Conforme revelado pela Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, as facções mantêm presença em áreas como os setores de combustíveis e de fintechs.

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