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Temendo ataques ao Pix, governo Lula discutirá com EUA ofensiva contra PCC e CV; entenda

Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, decisões do governo Trump representam uma tentativa ''inaceitável'' de intimidação às vésperas do período eleitoral.
Temendo ataques ao Pix, governo Lula discutirá com EUA ofensiva contra PCC e CV; entendaRT / Imagem gerada por IA

O ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, afirmou, em entrevista à rádio CBN nesta segunda-feira (1), que realizará reuniões com autoridades dos EUA ao longo da semana. O objetivo é tratar da designação, por Washington, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e do possível impacto da medida sobre a economia brasileira.

Na avaliação de Durigan, a classificação é mais política do que técnica e pode trazer impactos para bancos brasileiros e para o Pix, que já está há muito tempo na mira do governo de Donald Trump devido ao prejuízo causado a bandeiras norte-americanas de cartão de crédito, como Visa e Mastercard.

"Claro que a gente fica preocupado, porque se alguém do governo dos Estados Unidos apontar, com base em alguma informação que não é compartilhada com o governo brasileiro, de que o PIX está sendo utilizado para o crime organizado, nós vamos ficar sujeitos a esse tipo de ataque. E veja, o PIX é o maior símbolo de soberania financeira do Brasil. Nós não podemos ficar presos e com risco de uma intervenção ou de uma subserviência que tira a gente do caminho da inovação e de gerar infraestrutura de pagamento boa para as nossas empresas e nossas famílias", afirmou Durigan ao veículo.

Ao longo da entrevista, o ministro também declarou que esse tipo de "intimidação", às vésperas do período eleitoral, é inaceitável. Ao mencionar os argumentos de Washington sobre supostas práticas desleais do Brasil no comércio, acrescentou:

"A gente tem esclarecido e participamos das conferências e das audiências com os técnicos norte-americanos, e eles próprios reconhecem que isso já foi esclarecido outras vezes. Na sessão 301, que basicamente aponta questões comerciais como a 25 de março, o PIX, o desmatamento, o trabalho de pessoas no Brasil em condições precárias, são argumentos forçados. Em paralelo a isso, a gente vê a movimentação da família Bolsonaro com relação à designação de organizações que causam terror no Brasil. É uma forçação de barra sem fim".