
'Vão ser eliminados', diz porta-voz do governo Trump sobre CV e PCC

A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Amanda Roberson, afirmou nesta sexta-feira (29) que grupos criminosos atuantes no hemisfério "vão ser eliminados", após Washington designar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
"Esta administração do presidente (Donald) Trump não tolera a violência, não tolera que os grupos criminosos atuem no nosso hemisfério e no nosso país e eles vão ser eliminados", afirmou, durante entrevista ao portal Metrópoles.

Entre as consequências da medida, que entra em vigor no próximo dia 5 de junho, estão restrições de vistos, bloqueio de bens dos grupos nos EUA, proibição de realização de transações de pessoas dos EUA com esses grupos, e qualificação como crime o fornecimento de qualquer tipo de apoio ou recurso para as organizações.
À GloboNews, a porta-voznegou que os pedidos do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro, que esteve com Trump na quarta-feira (27), tenha tido algum impacto na decisão. "A única pessoa que toma decisões pelos Estados Unidos é o presidente Trump e sua equipe, o secretário (de Estado) Marco Rubio", disse.
"Segurança nacional"
Segundo Roberson, o FBI e outras agências do governo dos EUA monitoram o CV e o PCC em 12 estados norte-americanos.
As designações anunciadas, de acordo com a funcionária norte-americana, fazem parte de um compromisso de Trump "para proteger a segurança nacional" dos Estados Unidos. A estratégia envolve a eliminação na América Latina do que chamou de "narcoterrorismo".
"Importante destacar que esses dois grupos, o CV e o PCC, fazem parte de um grupo de 17 organizações em todo o hemisfério ocidental que está operando em todos os países: no Paraguai, Caribe e Equador também. Então, essa ação não foi tomada só contra esses dois grupos, mas é parte de uma estratégia abrangente que os EUA estão desenvolvendo agora para eliminar o narcoterrorismo e esses grupos violentos na região", declarou.
A porta-voz, contudo, rejeitou qualquer tentativa de intervenção nas eleições nacionais, afirmando que "a decisão do presidente do Brasil é dos brasileiros".
Risco à soberania brasileira
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, criticou ainda em março possibilidade de designação. Em depoimento na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, ele advertiu que a medida traz consequências diretas para a soberania brasileira, já que, em determinadas legislações, como a dos Estados Unidos, pode ser usada para justificar medidas mais drásticas, como uma intervenção militar direta.
"Pode inclusive justificar a intervenção militar em outro país. (...) Isso permitiria que o exército, as Forças Armadas, ou qualquer tipo de força americana, viesse ao território brasileiro, invadisse o território brasileiro para exterminar grupos terroristas, o que fosse", advertiu Vieira na ocasião.
Vieira enfatizou que o Brasil não pode aceitar esse tipo de enquadramento, tanto por razões legais quanto políticas. "Há um impedimento legal" e, além disso, "não podemos deixar que a soberania nacional esteja sob risco ou nas mãos de países estrangeiros", disse.
- O governo dos Estados Unidos anunciou, na quinta-feira (28), a designação das organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida entra em vigor no dia 5 de junho de 2026.
"A medida adotada hoje pelo Departamento de Estado reforça o compromisso inabalável do governo Trump de desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano", lê-se em nota oficial.
Ao longo do comunicado, as facções são descritas como "duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil", com atividades violentas que se estendem "muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e até o nosso país".

