
Defesa da soberania: China critica classificação do PCC e CV como terroristas pelos EUA

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (29).
"A China sempre defende a não interferência nos assuntos internos de outros países", destacou.
No dia anterior, Pequim destacou que "as relações sino-brasileiras têm estado, há muito tempo, na vanguarda das relações da China com outras nações em desenvolvimento".
As declarações vêm às vésperas da visita oficial do chanceler brasileiro, Mauro Vieira, à China.
CV e PCC terroristas?
O governo dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira (29) a classificação das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

A medida, divulgada pelo Departamento de Estado, entra em vigor em 5 de junho e foi baseada na legislação migratória norte-americana e em ordem executiva do presidente Donald Trump.
Teoricamente, a decisão não altera a soberania do Brasil nem autoriza qualquer tipo de ação militar em território brasileiro.
Entretanto, na avaliação de especialistas, esta designação pode representar um risco à soberania brasileira e pode prejudicar os esforços de cooperação investigativa entre os países, já que alteraria o nível de sigilo das informações compartilhadas entre os órgãos de segurança dos dois países.
O assessor especial para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim, criticou a decisão e afirmou que o combate ao crime organizado não pode servir de "pretexto para intervenção".
