O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, denunciou nesta terça-feira (22) o método utilizado pela mídia ocidental para "rapidamente fabricar notícias falsas".
"Todo o sentido da política de informação ocidental consiste em fabricar rapidamente uma falsidade, inflá-la até transformá-la em uma catástrofe universal em um, dois ou três dias, e bloquear o acesso a avaliações e informações alternativas sobre o episódio específico que está sendo inflado", declarou Lavrov na abertura de um fórum internacional sobre mídia.
Lavrov acrescentou ainda que, após o impacto inicial, o tema é esquecido pela imprensa, sendo relegado a espaços marginais e de pouca visibilidade.
"E o espaço midiático ocidental, a indústria ocidental nesse âmbito — incluindo a do entretenimento —, prepararam durante muito tempo e de maneira persistente a população de seus países para assimilar qualquer clichê antirrusso, mesmo o mais absurdo, qualquer fantasia. Isso continua até hoje", apontou o ministro.
Ele observou que a mídia ocidental conseguiu "educar uma parte considerável da sociedade nesse espírito", ressaltando, de forma irônica, que o esforço deles "não foi em vão".
Silêncio do Ocidente
"Por uma questão de justiça, devo destacar que a sociedade no Ocidente, ultimamente, também é composta por pessoas que começaram a fazer perguntas incômodas. Sabemos, por exemplo, como elas questionam os governos ocidentais sobre o motivo de se silenciar a respeito dos atos de terrorismo ucraniano contra a população civil de cidades russas", afirmou o chanceler.
Lavrov recordou o "escandaloso atentado terrorista" contra uma residência estudantil em Starobelsk, ocorrido em maio, no qual 21 pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas. "Isso não provocou nenhuma condenação por parte dos governos ocidentais", denunciou.
O atentado também não foi denunciado pelas estruturas internacionais controladas pelo Ocidente, indicou Lavrov. "E não houve qualquer repercussão nos noticiários da mídia ocidental. Simplesmente o ignoraram. Quatro drones letais atingiram um alvo abertamente civil: uma residência universitária e prédios administrativos. No Ocidente, silêncio. Além disso, o ataque ocorreu à noite, quando os jovens dormiam, e todos foram mortos", recordou.
O tema dos drones russos na mídia ocidental
"Hoje em dia, tornou-se moda na mídia ocidental o tema dos drones russos que, supostamente, aparecem aqui e ali em países da Europa e atacam alguns alvos em seus territórios. Mas, invariavelmente, descobre-se que ou não era um drone, ou era um drone ucraniano, ou um drone cuja vinculação à Federação Russa é difícil de identificar", argumentou.
Segundo o ministro, os detalhes já não interessam a ninguém.
"Jogam-se cartas informativas. Um, dois, três dias, e então a notícia desliza para as últimas páginas dos jornais, para recantos insondáveis" da mídia, acrescentou.
"Enquanto isso — como ocorreu agora na Alemanha —, valendo-se dessa falsidade, expulsam nossos diplomatas e fecham representações diplomáticas e consulares, bem como centros culturais", ressaltou.
O chefe da diplomacia russa mencionou a encenação do suposto assassinato de civis em Bucha, na província de Kiev, o que classificou como "a farsa mais cínica".
O chanceler recordou a essência e a cronologia dos acontecimentos que coincidiram com as negociações de Istambul no final de março e início de abril de 2022, quando Moscou e Kiev rubricaram um documento como base para um futuro tratado e preparavam-se para assiná-lo.
Como gesto de boa vontade, as forças russas foram retiradas de uma área, "partindo do princípio de que todos deveriam estar honestamente interessados na paz", continuou Lavrov. "Dois dias depois, o chefe daquela localidade apareceu na televisão e declarou com orgulho que o lado ucraniano havia recuperado totalmente o controle da cidade, e que não havia mais soldados russos ali. A gravação foi feita na rua, na rua principal da localidade — uma rua larga, absolutamente vazia", ressaltou.
"Três dias após a retirada de nossas unidades de lá, uma equipe da BBC apareceu e transmitiu imediatamente uma reportagem mostrando a mesma rua, onde, nas margens da via, estavam cuidadosamente dispostas dezenas de cadáveres com roupas muito limpas, apesar de haver lama e sujeira ao redor", detalhou. "Imediatamente, desencadeou-se uma histeria antirrussa e anunciaram-se novas sanções como punição", acrescentou.
Em resposta a essas acusações e sanções, a Rússia solicitou a lista de nomes das pessoas cujos cadáveres foram mostrados pela BBC — que, "convenientemente, estavam no local e no momento certos", disse o ministro, ressaltando que a resposta foi um "silêncio absoluto".
O chanceler russo explicou que recorreu diversas vezes ao secretário-geral da ONU, António Guterres, com o mesmo pedido, sem que houvesse "qualquer reação".
"Em dezembro de 2022, com o aval doSr. [António] Guterres, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos publicou um relatório que, mais uma vez, continha acusações infundadas contra as Forças Armadas da Federação Russa. Foi como se não tivéssemos apresentado nenhum pedido ao longo de todo o ano de 2022. E esse relatório não contém uma única prova; não foi realizada nenhuma verificação dos dados que constam no documento, nem a direção da organização levantou uma única questão. O relatório limita-se a repetir o que a BBC mostrou", enfatizou.
Segundo o ministro, ele também não entende por que, em relação a esse suposto assassinato de civis, não se menciona um número específico. "Ora são 21 pessoas, ora 590, ora 1.365", denunciou.
Em seguida, Lavrov descreveu como essa história "simplesmente desapareceu do espaço midiático internacional, como se nunca tivesse existido". "Mas nós não deixamos o assunto de lado. Todos os anos lembro ao Sr. Guterres que não faria mal explicar finalmente à comunidade mundial — ou pelo menos à Federação Russa, acusada de todos os pecados capitais — o que realmente aconteceu ali e quem foram as pessoas mostradas", acrescentou.
"Em maio deste ano, enviei ao Sr. Guterres 12 perguntas extremamente concretas", anunciou o chanceler. "No entanto, o Sr. Guterres respondeu à minha carta com as 12 perguntas concretas com uma resposta formal. E, de modo geral, nossa comunicação de longa data com ele sobre esse episódio específico mostra que o chefe da Secretaria da ONU — que está de saída — francamente se contradiz em suas declarações, como costumamos dizer", resumiu.