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Justiça mantém condenação de R$ 60 mil ao Hopi Hari após adolescente perder o rim em atração de terror

Tribunal rejeitou recurso do parque e confirmou responsabilidade por acidente em novembro de 2023, quando adolescente de 15 anos sofreu laceração renal durante a Hora do Horror em Vinhedo (SP).
Justiça mantém condenação de R$ 60 mil ao Hopi Hari após adolescente perder o rim em atração de terrorLegion-media.ru / Fotoarena

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve na segunda-feira (21) a condenação do Hopi Hari ao pagamento de R$ 60 mil de indenização a uma adolescente que perdeu o rim direito durante a atração "Hora do Horror", em novembro de 2023, conforme informou o portal g1.

A jovem, então com 15 anos e moradora da cidade de Mauá, de São Paulo, visitava o parque em Vinhedo com uma excursão escolar quando foi assustada e perseguida por um "monstro" em um ambiente escuro, caiu e bateu contra uma estrutura rígida.

Exames constataram laceração do rim direito, exigindo nefrectomia total — a retirada cirúrgica do órgão. A indenização foi dividida em R$ 50 mil por danos morais e R$ 10 mil por danos estéticos, em razão da cicatriz de 17 centímetros deixada pela cirurgia.

O TJ-SP rejeitou recurso do parque, que alegava omissões na decisão de segunda instância. O desembargador relator destacou que reações de fuga durante atrações de terror são previsíveis e integram os riscos da atividade explorada comercialmente.

Em primeira instância, o juiz já havia afastado a alegação de culpa exclusiva da vítima, argumentando que "o susto é o produto" e "a fuga é o resultado esperado".

O departamento jurídico do Hopi Hari declarou que recorrerá da decisão, afirmando que laudo pericial concluiu pela ausência de responsabilidade do parque, atribuindo o acidente ao descumprimento de regras pela adolescente.

Acidentes judicializados

O caso adiciona à visibilidade negativa do parque, já afetada por investigação do Ministério Público sobre outro acidente grave.

Júlia Bossoni, de 28 anos, sofreu traumatismo cranioencefálico na montanha-russa Montezum em abril desde ano, o que lhe causou a perda dos movimentos do lado esquerdo do corpo. Ela passou por sete cirurgias e segue em reabilitação, segundo reportagem do Fantástico.

A Montezum, maior montanha-russa de madeira da América Latina com 42 metros de altura, acumula um histórico de lesões. Em 2018, Nathalia Assenjo Motta deslocou vértebras e precisou colocar 12 pinos na coluna cervical, perdendo mobilidade do pescoço. Em 2014, Márcio [sobrenome não identificado] ficou tetraplégico por acidente no mesmo brinquedo e faleceu em 2023 por complicações de infecção urinária.

Pesquisadores identificaram ao menos 40 relatos de lesões vinculadas à Montezum em plataforma de avaliação nos últimos dois anos, segundo a reportagem. O g1 localizou quatro processos judiciais entre 2023 e 2024 envolvendo a atração, com indenizações que somam R$ 35 mil.

O parque sustenta que a Montezum possui certificação internacional e segue normas brasileiras.

"As inspeções acontecem anualmente no caso de atrações radicais como a Montezum, e bianuais, em atrações de baixa complexidade", afirmou a administração do parque, em nota. "Outros importantes protocolos de segurança, treinamento de pessoal e de atenção ao visitante fazem parte da rotina diária do Hopi Hari em todas as suas atrações."

Em agosto, o MP-SP emitiu parecer descartando risco coletivo na atração, mas instaurou nova investigação e solicitou perícia policial. Uma reforma está prevista para o final de 2026.