
Flávio Bolsonaro quer incluir Brasil na 'OTAN da América do Sul' se for presidente

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou na quarta-feira (7) que pretende incluir o Brasil no Escudo das Américas caso seja eleito. A declaração foi feita durante uma conversa com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, transmitida pelos canais da campanha e de Eduardo Bolsonaro no YouTube.
"Vou, com muita vontade e com muita honra, querer fazer parte do Escudo das Américas para cooperar com a Colômbia e com todos os demais países que se unirem para combater essas facções narcoterroristas", afirmou Flávio.

A declaração coloca o Brasil como possível novo integrante da articulação liderada pelos Estados Unidos, que atualmente reúne 15 países das Américas.
Entre eles estão Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru.
Escudo das Américas
Criado pelo governo de Donald Trump, o Escudo das Américas reúne países da região em uma articulação que começou com foco no combate ao narcotráfico, mas também passou a envolver segurança, minerais estratégicos e infraestrutura digital.
Para o professor de Relações Internacionais Gilberto Maringoni, da UFABC (Universidade Federal do ABC),a iniciativa pode ser vista como um "esboço de uma Otan continental", embora não se trate de uma aliança militar.
Segundo ele, uma eventual participação brasileira poderia ampliar a influência de Washington sobre as decisões de segurança do país.
O Brasil já integra o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), criado em 1947 para estabelecer mecanismos de assistência entre países do continente diante de agressões ou ameaças.
O acordo, porém, apresenta diferenças em relação à Otan e já foi alvo de controvérsias, como durante a Guerra das Malvinas, quando os Estados Unidos não apoiaram a Argentina.

