
De última hora, Trump cancela plano de ataque aos houthis no Iêmen — NYT

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu no domingo (20) não realizar ataques militares conjuntos com a Arábia Saudita contra os houthis no Iêmen, apesar dos apelos insistentes do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, segundo informações exclusivas do jornal americano The New York Times.
A decisão ocorre enquanto o grupo rebelde avança rapidamente em território iemenita e ameaça o estreito de Bab al-Mandeb, ponto vital para o transporte de petróleo saudita e comércio mundial.

Por duas semanas, o presidente americano teria vacilado sobre os pedidos sauditas de ajuda militar. De acordo com vazamentos do portal Axios, Bin Salman teria feito duas ligações urgentes a Trump no dia 10 de setembro, solicitando ataques aéreos enquanto os houthis conquistavam a cidade costeira de Mokha. Trump teria negado o pedido na ocasião.
O governo americano teria se comprometido tão somente a fornecer inteligência e dados de alvos aos sauditas, além de manter cerca de 200 militares americanos no reino oferecendo apoio indireto.
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Após outra ligação na última quinta-feira (17), reiterando a súplica, Trump teria inicialmente revertido sua posição contrária e ordenado que o Pentágono preparasse bombardeios — mas recuou novamente no domingo.
- As ligações denotam uma virada drástica da posição saudita, que havia indicado a Trump ainda em julho que suas forças poderiam lidar sozinhas com os houthis.

Antecedentes pessimistas e prognósticos incertos
A maioria dos assessores presidenciais se opôs ou demonstrou ceticismo quanto à participação na ofensiva, especialmente considerando as limitações militares americanas na guerra contra o Irã.
Oficiais também questionaram a eficácia de uma campanha limitada de bombardeios, lembrando que os houthis resistiram a quase oito semanas de ataques americanos em 2025.
A campanha do ano passado consumiu cerca de US$ 1 bilhão apenas no primeiro mês e atingiu mais de mil alvos, incluindo sistemas de radar e instalações de produção de drones. Apesar disso, os houthis continuaram atacando embarcações no Mar Vermelho.
Trump então anunciou um cessar-fogo abrupto, proclamando que os houthis "deram sua palavra" de que parariam os ataques. Desde então, o grupo reconstitui suas capacidades e até utiliza inteligência artificial para desenvolver novos mísseis.
O presidente americano, também no domingo, afirmou à emissora Fox News estar em "modo de decisão" quanto à guerra mais ampla contra o Irã, alegando que mantém comunicação constante com os houthis e que o grupo concordou em não atacar forças americanas.

Efetivamente, os houthis têm evitado confronto direto com navios dos EUA, concentrando seus ataques contra a Arábia Saudita desde julho.
Avanço dos houthis e escalada do conflito
- A escalada de julho representou, na prática, o fim da frágil trégua que havia congelado as linhas de frente no Iêmen desde 2022. Os Houthis aumentaram a pressão sobre a Arábia Saudita e intensificaram suas ações contra alvos vinculados ao país, enquanto Riad ampliava suas operações militares no Iêmen.
- Recentemente, os Houthis avançaram na costa ocidental do Iêmen, tomando territórios que anteriormente estavam sob controle de forças apoiadas pela Arábia Saudita. O movimento tomou a cidade de Mokha, ampliando seu controle direto sobre a costa ocidental e sua capacidade de pressão sobre as rotas do Mar Vermelho a partir do Estreito de Bab el-Mandeb, importante rota marítima.
- A situação se agravou com um ataque de míssil contra Riad, no sábado (19), que atingiu o aeroporto internacional da capital saudita. O grupo iemenita reivindicou a autoria deste e de outro ataque às "instalações da Aramco em Yanbu" na mesma data.
- Em meio ao aumento da dimensão regional do conflito, autoridades paquistanesas alertaram para novas linhas vermelhas no Oriente Médio, em face da inédita presença do Acordo de Meca, que estabelece o compromisso mútuo de defesa entre o Paquistão, a Arábia Saudita e a Turquia.


