Notícias

CNN: Em privado, oficial de altíssimo escalão do Pentágono busca saída para guerra com Irã

A posição de Dan Caine contradiz a do presidente Donald Trump, que acredita que ataques aéreos convencerão Teerã a assinar um acordo favorável à Casa Branca.
CNN: Em privado, oficial de altíssimo escalão do Pentágono busca saída para guerra com IrãGettyimages.ru / Tom Williams / CQ-Roll Call, Inc

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, Dan Caine, está "buscando uma saída" para encerrar a guerra com o Irã, pois as capacidades militares de seu país para travar um conflito prolongado com a nação persa são limitadas, segundo reportagem da CNN, que cita três fontes familiarizadas com as conversas privadas que o alto oficial manteve com assessores do presidente dos EUA, Donald Trump.

Duas dessas fontes confirmaram que Caine expressou essas preocupações a outros funcionários de alto escalão do governo Trump, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, o vice-presidente JD Vance e o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe.

Segundo esses relatos, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA se reuniu em particular com alguns assessores do presidente que compartilham da sua visão a fim de demonstrar explicitamente as limitações operacionais existentes e os riscos de se empreender ações militares que ainda não foram iniciadas, incluindo aquelas que não envolvem o envio de tropas terrestres.

"Poderio aéreo tem suas limitações"

O relatório aponta que Trump não apoia a ideia de atacar o Irã com tropas terrestres porque está convencido de que ataques aéreos persuadirão Teerã a assinar um acordo nos termos que ele considera apropriados, mas Caine e outros membros do gabinete consideram esse resultado improvável. Portanto, eles estariam trabalhando em outras opções que se alinhem aos parâmetros do chefe da Casa Branca.

Por outro lado, apesar das repetidas declarações do presidente afirmando que as capacidades militares do Irã foram significativamente reduzidas, membros de sua equipe de segurança nacional discordam dessa avaliação. Na verdade, as indicações derivadas da doutrina militar, dos relatórios da comunidade de inteligência e de sua própria experiência os levam a concordar com o que Caine declarou em julho passado em uma audiência pública perante o Congresso: "O poderio aéreo tem suas limitações".

Com base nisso, tanto o Chefe do Estado-Maior Conjunto quanto outros altos funcionários expressaram reservas quanto à decisão de lançar ataques mais agressivos contra o Irã, pois acreditam que as consequências da escalada do conflito poderiam ser negativas. Do outro lado, estão os membros do Comando Central (CENTCOM), que, segundo uma fonte, foram "os únicos — além de Israel — que se mostraram favoráveis ​​à operação" para intensificar a guerra.

Soma-se a isso a redução nos estoques de munições essenciais, particularmente aquelas usadas em sistemas de defesa aérea. Essa deficiência comprometeria a capacidade de Washington de responder a uma ofensiva iraniana em um contexto de escalada do conflito.

De acordo com declarações feitas à CNN por um alto oficial americano, Trump optou por abandonar o plano após conversar com aliados no Oriente Médio que temiam represálias das tropas iranianas, principalmente contra sua infraestrutura energética. No entanto, a fonte alertou que a tentativa não está totalmente descartada.

O gabinete de Caine se recusou a comentar o assunto e chegou a questionar a veracidade da reportagem. "Não discutimos as conversas confidenciais que o presidente da comissão mantém com o presidente, o secretário [de Guerra, Peter Hegseth] ou outros funcionários de alto escalão, nem comentamos caracterizações anônimas e tendenciosas dessas conversas feitas por fontes que não tiveram acesso a elas", declarou o porta-voz do chefe militar, Joseph Holstead.